A espera
Elen de Moraes Kochman
Nasce o dia...
No silêncio da manhã,
confiante, te espero!
Um vento frio
se enrosca no meu corpo,
agita meus cabelos.
Tenho a excitante sensação
de que o mundo me pertence.
Há futuro...Tanto tempo!
Cai a tarde...
Com ela, a ansiedade,
angústia de quem ama,
de quem espera... e não reclama.
Não há mais vento. Nem frio.
Uma brisa morna incomoda.
Há futuro ainda! Mas... tempo!?
Desce a noite.
Seu manto de solidão me envolve,
sopra em meus ouvidos um lamento...
Avisa que de tanto te esperar, te perdi!
De tanto te amar,
não vivi!
De tanto sonhar,
esqueci
que na vida temos o que merecemos...
Eu não te mereci,
porque não lutei por ti!
Só te esperei.
Agora... não há mais futuro!
A vida se esgota.
A esperança se esvai.
Meu tempo se embota...
Ó vida, por favor,
amanhece novamente em mim!
Dá-me outra chance,
um novo amor!
Que não seja o fim!
|
"Somethings in the rain" - playlist da série
Mostrando postagens com marcador elendemoraes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador elendemoraes. Mostrar todas as postagens
domingo, 14 de abril de 2013
A ESPERA - Elen de Moraes Kochman
quarta-feira, 13 de junho de 2012
DESENLACE DOS DESEJOS... - Elen de Moraes Kochman
DESENLACE DOS DESEJOS...
Antes e depois Elen de Moraes Kochman
Na lembrança,
Paisagens poéticas Desfilam palavras desbotadas. Imagens frenéticas Dançam pelos acostamentos das estradas, Rasas de amor. Sombras serpenteiam o tempo... Miragem ilude a paixão. Um nada para ser feliz. Um nada varre a intenção. Antes, a entrega, A loucura que se contradiz... Depois, o ciúme, O chicote das palavras, A refrega. Antes - e sempre - A comunhão dos sentimentos, O amor, a sintonia. Depois, o desencanto, Os ressentimentos. Raiva à flor da pele. Hipocrisia. Antes, Êxtase e prazer. Presente sem passado. Depois, Rotina. Viver por viver, Cotidiano minado, Presente sem porvir. Antes, Tempo e futuro, Sonhos benfazejos. Depois, Salto no escuro, Desenlace dos desejos. O adeus. |
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
UM E-MAIL DO ALÉM - Elen de Moraes Kochman
UM E-MAIL DO ALÉM...
Assunto: Infelizmente, o mesmo! Num sitio da internet onde portugueses e brasileiros se congregam, o assunto tem sido, ainda e infelizmente, “putas brasileiras”, como escreveu num artigo, há uns dias, um jornalista português. Bastou, para o incêndio! Defesas e acusações dos dois lados. Mexeu até com quem já partiu para a eternidade, pois de lá recebi um e-mail, com o seguinte teor: “Olá amiga, o assunto é longo. Acomoda-te! Escrevo-te porque fui chamada à presença do Chefe e incumbida de uma difícil missão e quero dividi-la com alguém. Levei um grande susto com o chamado. A dúvida embaraçou-me antes que meu cérebro a digerisse. Achei que tinha feito algo errado. Não que eu não erre! Reconheço que “piso na bola”, mas Ele, amorosamente, me tem alertado sobre esse meu jeito de ferver em água fria (expressão roubada aos portugueses). Sosseguei meu receio ao inteirar-me da incumbência: pesquisar os motivos de tantas discussões entre brasileiros e portugueses. Reclamações chegam de ambos os lados, argumentou. Pareceu-me preocupado, haja vista que os ânimos se acirram. Pelo que apreendi do Seu olhar, o tempo vai fechar! Sabe, aqui vivemos em paz celestial. Portugueses e brasileiros unidos, feito unha e carne! Isso se deve à Sabedoria do Chefe que promoveu, divinamente, a harmonia. Explico: ao chegar, informaram-me que brasileiros ficam sob orientação dos portugueses e vice-versa. Dão-nos a prerrogativa de escolher sob as ordens de qual famoso orientador queremos ficar. Perguntei se era penitência. Disseram que não, embora tenha notado certo riso disfarçado no canto dos lábios daquele Senhor simpático que me recebeu. Adivinha quem escolhi! Camões, claro! Não poderia ser outro, porém, depois me arrependi: quem optou por Bocage, ri e se diverte o tempo todo e nós, camonianos, trabalhamos, estudamos e nas horas vagas aprendemos sobre as aventuras dos navegantes e do império português que fundaram além mar. Camões é exigente e sisudo. Chama-me a atenção pelas mínimas coisas, diz que falo gírias demais, que rio e falo alto, o que não fica bem para uma mulher e de uns tempos para cá cismou que ando a “paquerar” o Fernando Pessoa. Devo admitir meus suspiros por aquele homem misterioso, mas, é só! Ele vive às voltas com os “seus outros EUS”! Entretanto, o que mais irrita Camões é quando misturo inglês com a nossa língua. Fica irado! No Brasil, as duas línguas se juntam em total desarmonia e a gente se vicia e fala errado. São out-doors anunciando a new fragance, o layout da comida express e delivery, os fitness, a roupa fashion, sem falar dos programas para os computadores. Camões, por mais que eu me desmanche em motivos, não aceita que o brasileiro se deixe comprar e vender pelo que fala e come. Estou aflita: descobri que vou passar a eternidade todinha com Camões. Céus! Ele só me permitirá ir para outro departamento quando eu estiver falando a pura língua portuguesa, a que se fala em Portugal, sem gerúndios, estrangeirismos, gírias e sem comer o final das palavras. “Tadinho”! Não tive coragem de lhe contar sobre o que as novelas brasileiras fazem por lá. Os miúdos desaprendendo o português e a juventude a passear pelos calçadões. Cá entre nós, amiga, vai ser uma longa eternidade até Portugal voltar a ser o que era... Se bem que eu tenha aprendido a aceitar Camões com seu jeitão calado e irascível. Às vezes eu o pego me olhando e coçando a barba e outro dia me disse que numa hora dessas vai me levar a passear e explicar o porquê de ter escrito que o “amor é fogo que arde sem se ver”. Não entendi! Depois te conto! Esquecia-me do motivo principal desta carta: as “putas brasileiras”, como se fala por lá. Camões diz que a culpa é da língua que possui palavras iguais, com significados diferentes. Não creio! No português coloquial do Brasil, prostituta é a mulher que faz sexo, profissionalmente, por dinheiro (nada a impedir que sinta prazer) e puta, a que faz sexo só pelo prazer, com mais de um parceiro, tipo a mulher casada que tem amante. E é só no Brasil que isso acontece? Fala sério! Daí a revolta quando alguém se refere dessa forma às mulheres brasileiras, como se todas fossem iguais. Talvez a intenção de quem fala seja ferir mesmo. A maioria, incluindo-me, tem aversão à palavra e penso que a ojeriza nasceu no dia em que Cabral desembarcou no Brasil, com todos seus homens em jejum e se depararam com as índias, belas e peladas. Será que ninguém imagina o que aconteceu? Pero Vaz de Caminha não relatou esses fatos (ou factos?) naquela carta, todavia, o assunto já foi matéria de pesquisa numa Universidade. Talvez, a partir daí, tenha nascido o amor de tantos portugueses pelas brasileiras e o pavor das brasileiras pela palavra em questão. Para terminar, uma dica: avisa aos portugueses que gostam de músicas e poesias para escolherem Vinicius de Moraes como Orientador: a turma dele aqui em cima, só faz cantar, escrever e admirar as garotas de Ipanema. Chega de prosa por hoje! Obrigada por me ler. Até mais!”
Por Elen de Moraes
|
Edição: 15/07/2010
Assinar:
Postagens (Atom)
VOZ: Elen de Moraes Kochman - Elegia do adeus
Rio de Janeiro - Br
Aterro do Flamengo - ressaca
Amanhecer no Rio de Janeiro
Amanhecer no Rio de Janeiro
Nevoeiro sobre a Tijuca
Rio de Janeiro
Tempestade sobre a Tijuca
R< - Br
Eu me perco em teu olhar...





