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domingo, 26 de junho de 2016

AMOR, SUPREMO DOM - Elen de Moraes Kochman



AMOR... SUPREMO DOM!

Elen de Moraes Kochman


Deslumbra-me o abraço dos apaixonados...
Alegra-me a visão de tal enlevamento!
Aquece-me a alma saber que o sentimento
De amor, ainda existe nos enamorados...


Sons confusos, ao pé do ouvido, sussurrados...
Mãos dadas... Olhos nos olhos... Encantamento...
Sorriso fácil, sempre aberto! Alheamento,
Emoções intensas, gestos extasiados.


Comovida, sinto renascer-me a esperança,
Pois vejo que o amor - maior de todos os dons -
Move corações e os matiza em iguais tons.


Amor, supremo dom da bem-aventurança!
Divino maná que cadencia e completa
Minh’alma tenaz... e esse meu quê de poeta!




sábado, 31 de janeiro de 2015

"O POETA É UM FINGIDOR"? - Elen de Moraes Kochman





"O Poeta é um fingidor"?

Elen de Moraes Kochman


O primeiro dia deste novo ano amanheceu com cara de fim de festa para quase metade do povo brasileiro que não votou na candidata que, reeleita, adquiriu o direito de nos governar por mais quatro anos. Se democracia é aceitar a vontade da maioria, a razão acata a decisão, embora o coração se quede inconformado, muito pela corrupção, pelos desmandos da maioria dos nossos políticos e um pouco pela certeza de que tudo que já estava ruim vai piorar. Não é pessimismo, é pisar o solo da realidade.

Ó “meu Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro”, ACORDA! Aliás, vem aí o carnaval, para distrair, de vez, a moçada e fazê-la esquecer dos “assaltos” aos cofres públicos, principalmente os da Petrobrás, da inflação, dos aumentos dos impostos, dos combustíveis, da energia elétrica, etc. Até quando “Brasil do meu amor, terra do Nosso Senhor”, permitirás que as gentes humildes da tua terra, sofram com a falta de hospitais, segurança, educação, comida e a com seca que castiga o nordeste, agora também no sul, onde antes havia fartura da água  que hoje anda escassa? Até quando “meu Brasil lindo e trigueiro” consentirás que os teus pobres e/ou analfabetos continuem trocando as migalhas que recebem dos políticos, por votos, ao invés de exigirem dignidade e empregos, honestidade e verdade de quem colocam no poder? 

Eles não têm culpa! Refiro-me aos carentes, sem acesso à informação dos jornais, revistas, internet ou outro tipo de comunicação, porque para os alienados políticos, isto é, para os que não se interessam pelas questões politicas ou sociais, que preferem ver na televisão somente novelas, com suas histórias açucaradas, ou a violência mostrada em programas vespertinos, não há desculpa. Nada contra os que incluem nos seus momentos de lazer, tais programas, mas que reservam tempo para os educativos e para a leitura de um bom livro. E nada como uma boa leitura para abrir horizontes. Melhor só mesmo viajando em busca!

Como seria bom se o povo buscasse e tivesse na leitura motivos de prazer, não para seguir ideias e sim formar as suas próprias e ter uma visão coerente com a verdade e a justiça, sem engolir as mentiras que lhe empurram goela abaixo – ou pensam que empurram! Bom seria, também, uma imprensa totalmente livre, compromissada com a verdade e não com a notícia maquiada, ou omitida, em troca das benesses dos anunciantes governamentais.

Dizem que o brasileiro é preguiçoso e não gosta de ler. Há exagero nessa afirmação. Creio que a maioria não foi estimulada a ler desde a infância. Os livros são caros e não sei de nenhuma politica do governo de implantação de bibliotecas em quantidades suficientes para atender a população. E se os pais não gostam de ler, não têm como passar para os seus filhos esse prazer. Por outro lado, muitas escolas, talvez seguindo “Programas de Educação”, impõem às crianças a leitura de livros muito antigos, escritos numa linguagem incompreensível, rebuscados, longe da realidade desses jovens alunos. Além de não entenderem o que estão lendo, tomam pavor aos livros. A leitura precisa ser incentivada, entretanto a escolha do que ler deveria ser de cada um, orientados pelos Professores ou pais. Mais tarde leriam os clássicos, porém nunca por imposição quando tão jovens. “O momento da leitura tem que ser visto como uma hora de diversão; associar o hábito a uma obrigação fará com que a criança tenha a sensação de que está sendo punida, e assim dificilmente desenvolverá o prazer que a leve a inserir a leitura em sua rotina”, explica Paulo Ramicelli, do projeto “Ler é uma viagem”.

O amor à palavra escrita e falada, aos livros e a todo tipo de leitura, nasce dessa liberdade. O diretor da escola onde cursei o ensino fundamental, um Padre moderno para a época, com visão progressista, dizia que o Professor é um Orientador e os alunos responsáveis pela riqueza e diversificação do próprio aprendizado. Os benefícios da leitura são muitos: estimula os mecanismos mentais pelos quais nos valemos para utilizar nossa memória, razão, raciocínio, além de incentivar a criatividade e enriquecer nosso intelecto.

Além de tantas dificuldades, há, também, o preconceito sobre incentivar determinadas leituras. Os machistas, exemplo, dificilmente admitem nos seus filhos o gosto pela poesia e se o garoto mostra dom para escrevê-la, o mínimo que ele escuta é que “isso não dá dinheiro” – imagina quando ouve o máximo! – no entanto, a filha pode escrever, mas só até se casar e o marido proibir por achar que ela escreve para outros homens (ainda bem que nem todos os maridos são retrógrados) e isso quando a própria sociedade não diz o mesmo! Que seria da poesia se os grandes autores, homens e mulheres, tivessem dado ouvidos à tamanha mediocridade?

“O poeta é um fingidor”
Elen de Moraes

Nessas noites solitárias, quando revivo
cada sonho que permiti amanhecer,
cada paixão que inventei... só para escrever
versos tórridos de algum poema explosivo;

quando ao coração proibi deixar-se cativo
dos amores que fingiam bem me querer,
quando desisti de viver só por viver,
pelo cansaço que se me fez persuasivo, 

entendi que na vida tudo tem um preço...
Lúcida, de bom grado, aceitei a amargura 
do licor, do cálice que bebo... E agradeço,

cada dia, viver essa grande aventura: 
fantasiar a vida em cada recomeço;
reinventar-me na “transparência da loucura”.

Citações:
"O poeta é um fingidor"=- F.Pessoa
"Meu Brasil Brasileiro...", "...terra de nosso Senhor",  "...lindo e trigueiro"= Aquarela do Brasil
"Transparência da loucura"= Antero de Quental

domingo, 4 de janeiro de 2015

Sou Poeta (sou? sei lá...)- Elen de Moraes Kochman



"Parafrasear" é dizer algo que alguém disse com suas próprias palavras. 
Você continua a expressar as mesmas ideias, mas de uma maneira 
diferente.  Pode ser uma habilidade útil, especialmente se você está tentando escrever um ensaio ou artigo.
É claro que você sempre tem de atribuir os créditos quando você usa as ideias de outra pessoa, mas parafrasear lhe dá a oportunidade de dizer com suas próprias palavras, em vez de usar uma citação direta. 
Ao afirmar do seu próprio modo, a informação pode se encaixar melhor 
no que você está escrevendo, permitindo que o seu texto flua mais 
facilmente de uma ideia para a próxima.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

SER... OU NÃO SER... - Elen de Moraes Kochman



Ser ou não ser...

Elen de Moraes Kochman


Não sei se sou poeta por dizer em versos
Tudo quanto à mente me vem, liricamente...
Ou se porque amor e ódio são reversos
Pra mim, que vivo o amor bem mais intensamente...


Não sei se sou poeta quando o pranto cai
Dentro do peito, por essa gente sofrida.
Ou se porque, por ideais, meu ser se esvai,
Quando a inspiração abre mais essa ferida...


Não sei se sou poeta pela dor que eu invento,
Ou se porque me perco em tanto sentimento...
Só sei que não sei mais se sou, ou não

Porém, sinto-me poeta neste soneto,
Pois nele ponho alma e coração em dueto...
E neste instante sei que meu EU se completa!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

EXORTAÇÃO - J.G.de Araujo Jorge - 1935





Exortação



- Poema de JG de Araujo Jorge -
extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935 )



Sonha, poeta!... O sonho é o entorpecente,
o mais sublime tóxico do mundo,
a morfina ideal do teu viver...
-sonha um sonho infinito, azul, profundo,
indefinidamente,
e esquece a vida que tu tens presente
pela vida maior que há no teu Ser!

Esquece tudo, o próprio mundo esquece,
e esquece a tua vida, porque a tua vida
vale mais se a souberes fazer grande
e cada vez maior
na tua exortação...
Se o teu destino é estranho e é diferente,
se não nasceste igual a toda gente,
- ensina o canto livre e a vida nova
aos Prometeus da Razão!

Faze tu mesmo, o teu próprio Universo,
- tua terra
- teu céu
- tua vida
- teu verso...
E o Universo dos homens que te importa então?
Sê louco!... Que a loucura é essa subida
de pequenez restrita da verdade
à grandeza infinita da Ilusão!

O teu sonho não traz o pedestal na terra,
teu espírito é assim como um condor boiando
nos espaços azuis...
Sobe... devassa os céus, de lado a lado,
vê se existe algum poeta, além, por outros mundos,
esse poeta que à noite escreve com as estrelas,
não tendo ao solo acorrentado os pés!

Sonha, poeta!... Eu quero ver-te aflito
sacudir os teus braços na amplidão
a ferir com teus dedos o Infinito...
E ao baixar tuas mãos,
de novo ao vê-las,
hás de exclamar, tenho-as de ouro e lilás!;
e olhando para o céu
verás o céu sangrando
de estrelas,
e as tuas mãos, a transbordar estrelas
assombrado verás!

Não trouxeste o destino de arrastar
a tua ânsia na terra
onde os homens pregados vão de rastros...
Solta a tua alma azul no espaço azul,
os teu sonhos semelham-se a bandeiras
fremindo ao vento no cordel dos mastros!
- vai brincar com os cometas sem destino
e conversar com os astros!

Sonha! Que este sonhar só bem te faz!
Sê sempre o mesmo:
Um louco!
Um incomum!
Não te sujeites a domínio algum,
e que o teu sonho não acabe mais!




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

XXXVI O Guardador de Rebanhos Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)





O guardador de rebanhos
XXXVI

Alberto Caeiro
(Fernando Pessoa)



E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas! ...


Que triste não saber florir!

Ter que pôr verso sobre verso, 
como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está! ...



Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa,
 mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem sei eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao solo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.


Extraido do "Eu profundo e os outros Eus"
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