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segunda-feira, 20 de março de 2017

OUTONO - As cores de abril - Elen de Moraes Kochman




OUTONO - as cores de abril


Elen de Moraes Kochman


A lua ainda teima em marcar presença quando um tímido sol, através dos seus primeiros raios, dá esmaecidas tonalidades rosa e laranja aos tufos de nuvens, cedendo  colorido ímpar ao manto negro da noite que se rende à beleza e empresta espaço à exuberância dos matizes outonais do amanhecer.

A cidade desperta sem pressa e se espreguiça sobre o mar. Os gritos abafados das gaivotas - como se tivessem pena de acordar o dia - com seus vôos lânguidos e rasantes sobre águas cor de esmeralda , que aos poucos se cobrem com nuances douradas e o som das ondas - lambendo luxuriosas as brancas areias - num ritmado vai-vem, orquestram uma perfeita sinfonia.

Do mar, a brisa sopra fria, ondula os coqueirais e se enrosca nas pequenas árvores, despindo-as com leveza e graça, deixando-as despudoradamente nuas, num ritual de paixão e prazer. Os cheiros cítricos que invadem o ar, aspergem pelas ruas um perfume gostoso, um rastro de vida que dá um toque extasiante de boas-vindas ao recomeço.

Cores amarelas, vermelhas e douradas tonalizam a esperança; sons embalam e cadenciam a alegria de existir; notas musicais produzidas pelas batidas do coração, em unissonância com os acordes do universo, entoam um novo tempo; fragrâncias de terra molhada, no cio, que recebe em seu ventre novas sementes, novas vidas, dão o toque de abril.

Nos trópicos o outono é belíssimo: o céu mais azul, os dias mais claros e ensolarados e as temperaturas amenas convidam a passeios, abraços e união de corpos. As noites, mais aconchegantes e românticas, estimulam confidências e entregas. Não sei se o que vejo, enxergo com os olhos da paixão, da admiração que cultivo pelo meu Rio de Janeiro ou se os filtros, através dos quais vejo amor e encantamento num singular amanhecer outonal, precisam ser substituídos. 

Todavia, acredito que a beleza natural que veste a nossa cidade não poderia ter um outono qualquer, só com árvores desfolhadas, uma época simplesmente de espera por dias mais viçosos, sem mistérios e sem poesias. Tinha que ser como acontece: o clímax da natureza rompendo um novo tempo, tingindo de ouro as águas da Lagoa, das praias e da baia, colorindo nossas águas interiores. Um tempo de reencontros, de renovação, de perdão para renascer, de dispor novas sementes no solo da nossa compreensão (e aceitação pelo inevitável), de colher os frutos que se plantou. Outono, estação do amor!

Há quem o compare com o “principio do fim” da vida, a antecâmara da velhice, a tristeza ligada à morte. Talvez, pelas folhas secas, sem brilho, espalhadas pelo chão, largadas ao vento. Penso que depende de como cada um modera a luz e protege as lentes, através das quais capta e absorve o belo ou o feio, a alegria ou a tristeza, a intensidade ou o efêmero desses dias, de todos os dias e estações.

Quando eu era mais jovem, quando meus olhos só viam o necessário, o que se mostrava em primeiro plano, quando o meu coração reclamava sem conferir e a minha alma sentia sem entender, eu mesma não conseguia enxergar, no outono, a estação do amor e, sim, uma sucessão de dias insossos, um desfilar de rostos inexpressivos, uma procissão de acabrunhadas gentes. Uma estação de saudades antecipadas.

Hoje faço coro com o poeta Vinicius de Moraes, em seu poema “As cores de abril”, quando ele afirma: “vai e canta, meu irmão/ ser feliz é viver morto de paixão”. 
Publicado no jornal da CA
www.tribunaportuguesa.com
em 1º/06/2010
 

OUTONO- estação do amor - Elen de Moraes Kochman





Outono


Elen de Moraes Kochman




Outono.
Triste despedida.
Desfazer-se,
dar adeus à vida
para renascer.
Preencher-se de razão,
emprenhar-se de vazio,
de solidão.
Sentir sob os pés,
exaurida,
a terra bruta no cio,
vencida.


Outono,
chuva fina, céu cinzento.


Tristeza
imersa em acres sabores,
de folhas mortas ao vento.
Beleza
matizada de ocres cores,
vida em intenso movimento.


Outono,
tempo de ceder espaço,
curvar-se
ante as evidências,
adaptar-se
ao momento e ao seu abraço,
preparar-se
pra aceitar longas ausências.


Outono,
saudade em mim,
amor latente.
Velho jardim,
nova semente!
 
 
  
  

quarta-feira, 8 de março de 2017

BOM MESMO É SER MULHER - Elen de Moraes Kochman



Bom mesmo é ser mulher


Elen de Moraes Kochman


Bom mesmo é ser mulher! Sensual, feminina,
pernas à mostra em roupas insinuantes,
sorrisos meigos em lábios inebriantes,
sedutor e faiscante olhar de felina.

 
Bom mesmo é ser mulher! Plural. Namoradeira,
tímida, pudica, assanhada ou virginal.
Sem instrução, PHD, intelectual.
Corpo, idade, cor? Só importa ser verdadeira!

Bom mesmo é ser mulher! Valente, decidida,
que vai à luta, sem perder a sua essência.
Ciente do seu poder, mas tendo consciência 
de vestir delicadeza em contrapartida.

 
Bom mesmo é ser mulher! Feliz dona de casa,
que vive pra seus filhos, seu homem, seu lar.
que assim se realiza, sem se descuidar
de si e da vida eleita que tanto lhe apraza.

 
Bom mesmo é ser mulher! Madura, independente,
que aceita envelhecer e sente-se inteira,
que ama, sofre, ri... que vive à sua maneira!
Pra muitos, referência. Mulher expoente!

 
Bom mesmo é ser mulher! Sozinha, acompanhada,
solteira, casada ou amiga colorida...
porque o que se espera mesmo desta vida
é ser feliz, amar e também ser amada.

 
O bom mesmo é ser mulher!
Acredite! Se quiser...

 MULHER, 
à você, pelo nosso dia, 
dedico esta poesia e espero que se descubra nas linhas 
e entrelinhas destes versos, em algum flash da minha inspiração. 
Que haja sonhos suficientes para todas nós,  porque 
"Bom mesmo é ser mulher!"

Abraço carinhoso!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

SER DE LUZ - Elen de Moraes Kochman


Ser de luz

Elen de Moraes Kochman


Trago a saudade represada no olhar.
Que falta que me faz a vida a teu lado!
Sempre a avançar, passe o tempo que passar,

afirmo que tu jamais serás passado.
Estás tão presente nas minhas lembranças,
que tua ausência é só um detalhe isolado,

pois te sinto ainda aqui, nas semelhanças
do que vivo hoje e do que vivi outrora,
de mãos dadas contigo, em nossas andanças,

pelo tempo, a sonhar, como sonho agora
com os teus abraços, teus ensinamentos
e o teu acalanto pela vida afora,

que ouço no silêncio dos meus pensamentos,
nos sussurros do vento – doce harmonia -
que inunda a alma... como nestes momentos,

quando o teu “Ser de Luz” se faz poesia. 


Para minha mãe Maria
- em memória -

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SOL DO PARAÍSO - Elen de Moraes Kochman
































Sol do paraíso


Infinito de esmeralda
    no olhar,     
límpida fonte
             no meigo sorriso,              
a luz da sua graça
faz brilhar
no seu semblante,
a paz que hoje diviso.
Alma de anjo,
de sol no paraíso.

-Elen de Moraes Kochman- 

                             

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