Solidão, uma questão de escolha?
Elen de Moraes Kochman
Lá fora brilha um sol de meio dia, sobre um céu de janeiro infinitamente azul. Através da vidraça do meu quarto vejo o asfalto da minha rua que parece ferver sob o calor de 41 graus, com sensação térmica de 50º. O ar condicionado, ligado a todo vapor, não consegue refrescar o ambiente, quanto mais gelar, se essa era a intenção quando foi instalado. Talvez deva trocá-lo por um mais moderno, potente, já que a temperatura da terra está subindo a cada verão.
Gotas de suor molham meus cabelos e escorrem pelo pescoço. Ligo o
ventilador de teto e quase entro em desespero, porque mesmo com os dois
aparelhos ligados, o calor é sufocante. A temperatura do ambiente, cada vez
mais quente e úmida, me faz lembrar as brotoejas – Deus que delas me defenda - que
aparecem quando os poros ficam bloqueados e não permitem a livre transpiração,
facilitando o aparecimento dessas bolhas minúsculas que ardem como pimenta em língua
sensível.
Como cultivar e mergulhar na minha solidão, prantear um amor fracassado,
molhar com lágrimas de saudade aquela fotografia de um ente querido que já fez
sua passagem, como chorar a ausência dos filhos distantes que sequer telefonam, como brigar com o espelho pelo envelhecimento galopante, diante
dessa quentura que parece me abraçar com suas labaredas? No verão, quando parecemos
fugitivos do inferno, como permitir que a solidão me possua, que a tristeza me
invada, que minha alma se aninhe em abandono e os olhos se inundem de águas
sentidas, se o que agora me sufoca dói mais na pele do que o que me fere o
coração?
E lá vou eu de roupa de banho, chapéu na cabeça, procurar um cantinho
naquela praia superlotada. Talvez fosse mais saudável a piscina de um clube,
mas prefiro o mar e a conversa eclética que rola entre o povo que ama a vida ao
ar livre e crianças correndo, jogando areia molhada para todos os lados. Onde
está a felicidade? Está aqui, neste “marzão” de águas esverdeadas; nesta praia
de corpos sarados (e outros nem tanto); no abraço dos jovens bronzeados
e seminus; nos turistas de roupas coloridas e pele vermelha do sol, que sorriem
deslumbrados todo o tempo, quando não estão preocupados com suas possantes máquinas fotográficas e outros pertences,
para não serem roubados num "arrastão" que, infelizmente, pode ocorrer a qualquer momento; no sorriso dos “coroas” e suas jovens paqueras; das
avós e seus comentários sobre as gracinhas dos netos, enfim, a felicidade está
aqui, nesta vida que ferve.
Possivelmente sejam esses os motivos das cidades praianas e tropicais
constarem sempre das estatísticas como as mais alegres e de abrigarem um povo
pra lá de simpático. Pois como chorar um
amor que acabou, uma mágoa que doeu, com este sol me cascando a pele e esse mar
me convidando para um mergulho? Como me desabar
de infelicidade, se à minha frente sorrisos encantadores me dão boas-vindas? Não
há solidão que insista ou resista!
Porém há o outro lado: os que vivem na parte de cima da linha do equador,
que enfrentam um inverno rigoroso, de paisagens brancas, cobertas pela neve e não
podem, muitas vezes, sair de casa. Ou sem neve, mas com frio de gelar os ossos.
Nesse caso, quem vive sozinho não tem como escapar da solidão, mas pode
reverter tal situação e usá-la como ótima companhia. Pense: o céu é sempre
comparado a uma imensidão branca, não para mostrar ser um lugar de abandono, de
depressão e sim, um lugar de paz.
Há gente que ama estar sozinha, o que é bem saudável, porque doente é se
sentir só, estando acompanhada. É o que chamam solidão da alma. Gostoso mesmo é
tomar um vinho em frente a uma lareira acesa, fartando-se de boas lembranças,
de preferência olhando a neve, ouvindo boa música, sem que alguém interrompa o
fluxo das memórias, sem gente falando sem parar, como se temesse o silêncio.
Então a solidão é uma questão de escolha? De olhar a neve ou os ferventes
caldeirões solares? Claro que não! Solidão é aquela gostosa companhia, o nosso Eu
solitário, que chamamos para preencher nossos espaços vazios, quando estamos a
sós.
Outro tipo de solidão somente os terapeutas estão aptos a argumentarem.
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"Somethings in the rain" - playlist da série
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
SOLIDÃO - Uma questão de escolha? - Elen de Moraes Kochman
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
FINAL DE LINHA - Elen de Moraes Kochman
Final de linha
Elen de Moraes Kochman
Final
de linha.
Fico por aqui.
Desço de ti,
sigo sozinha.
Fico por aqui.
Desço de ti,
sigo sozinha.
Ah... Cansei de dividir
teu
corpo com outras mulheres.
Enoja-me a tua boca
Enoja-me a tua boca
cativa
de tantos beijos,
teus lábios molhados
no lodo de tantas salivas.
Não quero mais
teu sexo forçado,
teus lábios molhados
no lodo de tantas salivas.
Não quero mais
teu sexo forçado,
perdido
em lembranças,
cansado de tantas andanças.
Desinteressante!
cansado de tantas andanças.
Desinteressante!
Vazio.
Sem alegria.
Aliás, não sigo sozinha,
volto daqui!
Quero me encontrar
nesse caminho,
onde perdi minha dignidade
e o meu amor próprio.
Vingança?
Não!
Basta-me a certeza
que terás saudades
Basta-me a certeza
que terás saudades
do
meu corpo...
enrolado nos teus lençóis,
entregue ao teu prazer;
a certeza
a certeza
de
que não suportarás saber
que em outro abraço
me satisfaço.
Final de linha.
Fico por aqui.
Desço de ti.
Sigo sozinha.
sábado, 4 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Ano Novo - AGRADEÇO-TE SENHOR! - Elen de Moraes Kochman
AGRADEÇO-TE, SENHOR!
Elen de Moraes Kochman
Agradeço-Te, Senhor, pela maravilha
da Tua obra! Majestosa criação
da vida, que pulsa nos Universos-ilha,
no vazio do abismo em total perfeição!
Agradeço-Te, Senhor, por tanta beleza,
pela luz que se fez e iluminou a treva,
formando o dia, colorindo a natureza...
Minh’alma, a Ti, um canto de louvor eleva!
Agradeço-Te, Senhor, pela magnitude
dos céus e do ser vivente em sua pujança.
Por tudo o que fizeste e Tua excelsitude,
pelo ser humano à Tua semelhança.
Agradeço-Te por me teres concedido
a faculdade de enxergar, na imensidão,
o teu poder inabalável, desmedido,
a Tua evidência dissipando a escuridão.
Agradeço-Te, por me deixares nascer,
Cercar-me de desvelo e sempre me guiar
No caminho certo, ensinando-me crescer!
Hoje, bem junto a Ti, é onde quero estar.
Agradeço-Te por escutar o brejeiro
canto das aves... do passaredo disperso,
por sentir da doce primavera o seu cheiro,
e soltar a voz, em coro com o Universo.
Agradeço-Te pelo amor que tens por mim,
pela família, pelo pão de cada dia,
pela paz, a saúde, os amigos... enfim,
pela vida Contigo, em total sinergia. |
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