"Somethings in the rain" - playlist da série

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CATARSE - Elen de Moraes





 
Catarse


Elen de Moraes Kochman


Qualquer êxtase para o tempo se exaurir
Na graça redentora... e a vida se estancar.
Intensa emoção para o amor adquirir
Centelhas... e de novo se inflamar.

Qualquer música para libertar a alma
Alquebrada... magoada pela partida.
Melodia inebriante que me dê calma
E adormeça em meu coração a dor sentida.

Qualquer motivo para suportar a espera...
Catarse para quem chora e se desespera
Por sofrer a dor que alucina, sem indulgência.

Qualquer palavra que faça secar o pranto,
Transformar a amarga lágrima em acalanto,
Pelo amado Ser que se foi desta existência




Catarsis

Versão de Pablo Rueda
Soneto de Elen de Moraes Kochman


Cualquier éxtasis para el tiempo a examinar
en la gracia redentora de la vida a estancar...
Intensa emoción para el amor adquirir,
centella que de nuevo va a inflamar.

Cualquier música para liberar el alma
Quebrada, lastimada por la partida...
Melodia embriagante que me da calma,
Y adormecida en mi corazón, de dolor sentida.

Cualquier motivo para soportar la espera,
catarsis para quien llora y se desespera
por sufrir un dolor que alucina, sin clemencia.

Cualquier palabra que haga secar el llanto
y transformar la lágrima en canto,
por el amado ser, que partió de esta existencia.
 



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E AGORA JOSE - Carlos Drumond de Andrade

Genial interpretação. Vale conferir!

O tempo passa? Não passa - Carlos Drumond de Andrade





















Pelo dia D - (109 anos)



O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.


O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.


Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.


O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.


São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.


E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade,
in 'Amar se Aprende Amando'

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Fantasia e realidade - Abstrações da mente (Elen de Moraes)




Publicado no jornal TRIBUNA PORTUGUESA - Califórnia

Para leitura online,edição de 01/09/2011

http://www.tribunaportuguesa.com/



Fantasia e realidade                        
                      (Abstrações da mente)

Elen de Moraes Kochman


As pessoas que gostam de conversar, de ter com quem dialogar, trocar impressões e com elas interagir, não conseguem viver isoladas por longo período. Sentem necessidade de colocar, verbalmente, suas reflexões, contar sobre o seu dia a dia, fazer suas piadas e muito mais. São extrovertidas e, geralmente, de bem com a vida. Para elas é motivo de pesar não encontrar alguém que tenha o mesmo pendor, quem não lhes dê atenção.


Não me refiro àquelas que falam além da conta, sem dar aos interlocutores a oportunidade de se manifestarem. Tais pessoas se tornam tão inconvenientes que ao chegar numa roda de amigos, antes mesmo que abra a boca, a maioria vai saindo de fininho e quem fica, ouve para não ser desagradável, sem atentar, no entanto, para o que dizem.


Aqui abro um parêntesis para mencionar os que só falam sobre dores, doenças e sofrimentos. São tão repetitivos que alguns amigos e familiares fogem, para não ouvir as “ladainhas” de sempre, como dizem. Entretanto, é bom lembrar que devemos “chorar com os que choram e alegrar com os que se alegram”. Hoje, eles; amanhã, quem sabe, um de nós, a necessitar de carinho e de um ombro amigo.


Do mesmo modo, quem gosta de solidão, de estar a sós com seus pensamentos, sem muito interatuar com seus colegas de trabalho, amigos ou vizinhos, quando chega a algum lugar onde todos falam ao mesmo tempo, ou quando o desejo de estar calado é interrompido por alguém deveras expressivo, que requer atenção por mais tempo do que tem disponível, sente-se molestado a tal ponto que não encontra melhor solução do que a de se despedir mais cedo.


Também aqui não me refiro aos que se acham superiores, aos arrogantes que preferem não dialogar com pessoas que prejulgam de nível intelectual inferior. Não! Refiro-me às pessoas que preferem a própria companhia e as que adoram os longos, amigáveis e descontraídos bate-papos. Mas, convenhamos que ir aonde falam e riem tão alto que para sermos ouvidos necessitamos falar mais alto ainda, é insuportável. O mesmo se dá quando o silêncio impera numa reunião: é tão ou mais desagradável quanto.


E há os que amam e têm o dom de escrever. Ah, esses sonhadores também têm grande prazer em conversar, porém, paradoxalmente, silenciar e observar, igualmente, faz parte. Enquanto observam, enriquecem seu fantástico mundo interior e armazenam subsídios para seus escritos. Acredito que os melhores ouvintes, ou os mais pacientes, são os escritores.


Escrever vicia? Não sei! Entretanto, quem escreve tem uma vastidão de fantasias e realidades entrelaçadas, a envolver seus pensamentos, que volta e meia se abstraem e mergulham fundo nesses alheamentos da mente. Quem gosta, sente necessidade de escrever todos os dias e desse prazer não abre mão, nem que seja para apagar ou jogar num fundo de gaveta. Difícil de entender, para quem não curte ou, absolutamente, não lê.


E aqui volto ao início do que falei acima, em relação entre os que gostam de conversar ou escrever: ambos necessitam de interlocutores e o do escritor é o leitor. De que adianta publicar um bom livro, com um tema de grande interesse ou um jornal excelente, se não houver leitores? Eles existem em menor número se comparados aos que gastam horas intermináveis em frente à televisão.


No nosso país ainda se lê pouco, mas já se lê bem mais, porém, como disse Elmer Corrêa Barbosa, “a maioria dos leitores que frequenta as livrarias em nossos dias, ao buscar livros para comprar, deseja o óbvio ou a fantasia inconsequente. Com isso, os livros mais vendidos são os que contam histórias “edificantes”, narrativas povoadas de magos e sábios...”


Ler é recomendado para quem deseja envelhecer com qualidade, pois ao estimular o cérebro, a memória se recompõe. Quem lê compreende melhor o que ouve, fala e escreve melhor, porque enriquece seu vocabulário. A leitura abre horizontes e capacita o desenvolvimento de um povo. E de novo meu aplauso para D. João VI, que contribuiu grandemente para a nossa cultura quando, ao se instalar com a família Real no Brasil, fundou em 1810 a Biblioteca Real, com 60 mil livros trazidos de Portugal.  



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um futuro ao alcance das mãos: sonho e realidade - Elen de Moraes Kochman

1º/07/2011

O futuro ao alcance das mãos:
sonho e realidade. 





Às vezes escrevo até altas horas e para não me sentir só deixo a tv ligada baixinho. Numa dessas madrugadas, chamou-me a atenção uma reportagem feita nos Estados Unidos sobre jovens americanos que se preparam para vir trabalhar no Brasil. Segundo eles, um país que deixou de ser do futuro, que emergiu e se transformou num lugar de diversificadas oportunidades de trabalho, principalmente para os que têm especialização em determinada área. Buscam informações sobre nossa cultura e se antes havia quem achasse que falávamos espanhol, atualmente fazem questão de aprender a nossa língua. Na Universidade de Pittsburg, Pennsylvania, a língua portuguesa entrou no currículo dos futuros advogados, administradores e engenheiros.

As turmas começaram pequenas, mas, agora contam com mais de cem pessoas frequentando as aulas regularmente. Anteriormente, nosso país chamava atenção por ser “exótico”. Hoje, desejam conhecê-lo por ser importante para a economia global e pelos empregos que surgirão com a Copa do mundo de futebol e as Olimpíadas que acontecerão nos próximos anos.

“Os Estados Unidos do pós-guerra e o Brasil de hoje vivem a antevéspera de uma expansão fenomenal”, afirma Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia. Após décadas de dificuldades econômicas e injustiça social pela grande desigualdade entre pobres e ricos, surge no Brasil uma nova classe média. Não igual à americana daquela época, que era uma sociedade próspera e mais igualitária, porém, com “clara semelhança psicológica. Um otimismo, uma sensação de pujança, de que o futuro está ao alcance da mão”, enfatiza Lamounier.

Esta não é a primeira vez que os americanos dos Estados Unidos se interessam em imigrar para o Brasil. Depois do término da guerra civil, pelos idos de 1865, quando o sul foi derrotado e a falta de alimentos, confisco de colheitas e a destruição de estradas e ferrovias eram noticias em todos os jornais, muitos sulistas passando por tal sofrimento, decidiram deixar sua terra natal e procurar segurança e melhor vida em outros paises. Quando o Rev.Ballard S. Dunn escreveu o livro “Brazil the Home for southerners (Brasil, o lar dos sulistas)”, grande parte deles tomou a decisão de vir para cá. Organizaram-se em associações de amigos e parentes e enviaram representantes para sondagens em diversos países das Américas. Só ao Brasil mandaram cerca de trinta representantes, que foram muito bem acolhidos pelo governo de Dom Pedro II, Imperador nessa época, que colocou à disposição intérpretes e transportes gratuitos, para que conhecessem as mais diversas regiões do país.

Muitos Brasileiros também sonham, ainda hoje, em fazer a vida nos Estados Unidos. O sonho é diferente daqueles dos anos 50 e 60, quando o cinema nos mostrava a vida glamourosa dos artistas, quando o rock estava no auge e nos apaixonávamos por aqueles homens belíssimos de olhos claros, que só víamos nos filmes e numa ou noutra revista. Os rapazes se identificavam com os “mocinhos” que “desbravavam o oeste em busca do ouro”. Sonhávamos o mesmo sonho dos americanos! Rejeitávamos o samba, só queríamos ouvir músicas americanas, vestir calças jeans e amarrar o cabelo num rabo de cavalo como as meninas dos filmes. Era “chique” e sinal de status mandar os filhos passear na Disney.  Hoje, ainda há adolescentes que preferem festejar lá seu aniversário de quinze anos. O sonho era maravilhoso, porém, seu despertar, para os que não recebiam o visto de entrada no país e usavam a fronteira do México, era (e é) o pesadelo de viver na clandestinidade, desempregados, sem dinheiro para voltar e muitas vezes sendo presos, isso quando não perdem a vida ao tentar atravessar a fronteira.

Presentemente, a indústria de turismo americana pressiona  para que a exigência do visto de entrada para os brasileiros seja abolida. Uma pesquisa nos apontou como o povo que mais  gasta dinheiro nos Estados Unidos. Calcula-se que a cada ano se cria 42 mil empregos com o movimento dos turistas brasileiros. E olha que, em média, aqui se espera na fila uns quatro meses para que o consulado dê, ou não, o tal visto e o consulado de São Paulo é o que mais o emite para os Estados Unidos, no mundo. Porem, grande parte desiste de esperar e vai para a Europa, Oriente ou faz turismo por aqui mesmo.

Agora o sonho se inverte: quem partiu, pelo sonho americano, hoje volta, pela realidade brasileira. Alguns, com emprego arrumado; outros, para montar o próprio negócio e muitos com a esperança de logo arranjar uma colocação. Voltam com alegria pelo reencontro com a família e o orgulho de serem filhos (e donos) do solo desta mãe gentil, chamada Brasil.

terça-feira, 19 de julho de 2011

LUA CONFIDENTE (sonho de adolescente) - Elen de Moraes Kochman





LUA CONFIDENTE
(Sonho de adolescente)

Elen de Moraes Kochman




Meu sonho de Cinderela,
tantos anos desejado,
era olhar o anoitecer...
Ver através da janela,
de algum castelo encantado,
a lua cheia nascer;

ver uma estrela cadente
numa dança sem igual,

piscando incessantemente
no seu bailado final;

ver a noite com seu manto
cobrir colina distante
e silenciar o canto
de um passarinho errante;

no jardim iluminado
pela lua confidente,
ver chegar o meu amado...
e com seu jeito envolvente
tomar-me... apaixonado,
num beijo intenso e ardente...


Ver o dia amanhecer
aconchegada em seus braços,
satisfeita... e adormecer



sábado, 2 de julho de 2011

Poente sobre o Rio de Janeiro - da Elen de Moraes


Que me venha o poente
com seus tons
avermelhados,
dar vida,
colorido
e paixão
aos meus sonhos
cor de rosa...
Linda noite, amigos!

UM BRINDE A PORTUGAL PELO SEU DIA - Elen de Moraes Kochman





Um brinde a Portugal                            
                                         Pelo seu dia!
 
Elen de Moraes Kochman

Neste mês de junho quando se festeja o dia de Portugal, oportuno se faz relembrar os importantes feitos da sua história, seus audazes navegadores, o destemor do seu laborioso povo ao embrenhar-se por terras recém- descobertas, desbravando-as, sua intrepidez ao demarcá-las, confrontar nativos, expulsar invasores, fundar povoados, fixar o homem no campo e lhe ensinar o cultivo do solo com mudas de plantas trazidas de outros continentes, como a cana-de-açúcar, que durante séculos foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando homens e nações e que ainda hoje contribui, grandemente, para gerar riquezas em nossa terra.

Quando Martim Afonso de Souza trouxe consigo, do sul da Ásia, suas primeiras mudas, talvez jamais tenha imaginado que estaria permitindo ao Brasil, séculos depois, tornar-se um dos principais exportadores de açúcar, ser o maior produtor do biocombustível tirado da cana, o etanol, e ocupar posição de liderança na tecnologia da sua produção, conquistando sua auto-suficiência com esse combustível alternativo, não poluente, que supre hoje metade da nossa frota de  carros leves.

Consta que o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, que se tem notícia, o famoso Engenho São Jorge dos Erasmos, cujas ruínas podem ser visitadas ainda hoje, foi instalado pelos Açorianos, em 1532, no litoral paulista, na Capitania de São Vicente. Segundo alguns historiadores, nessa época, a cana já era plantada em Pernambuco e na Bahia.

Com o açúcar, nasceu, por acaso, a cachaça e sua história se confunde com a descoberta do Brasil. O método consistia em se moer a cana, ferver o caldo e em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas. Quando o caldo desandava e fermentava, era jogado fora, dando origem a um produto que se chamava “cagaça”, que servia para alimentar os porcos e que os escravos tomavam e trabalhavam com mais vontade. Não há consenso quanto ao seu nome. Alguns pesquisadores têm outras teses. Através dos tempos, ganhou apelidos: caninha, pinga, abrideira, engasga-gato, água que passarinho não bebe, branquinha, “marvada” e outros.

Na época do Brasil colônia, a bebida foi usada como moeda de troca na África, na compra dos escravos. O sucesso da Cachaça era tanto e tão grande a sua preferência, que o destilado português, a Bagaceira, foi perdendo terreno, dando enormes prejuízos à Coroa e, por isso, os impostos foram sobretaxados sobre a venda da nossa aguardente, o que não resolveu o problema, porque ela passou a ser contrabandeada. Portugal, então,  decidiu proibir a sua produção e se alguém fosse pego descumprindo as leis, seria extraditado para a África. Muitos alambiques foram destruídos e navios queimados.

Nos fins de 1660, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, visando o lucro gerado pela bebida, ignorou a proibição e liberou seu consumo e fabricação, mas, para a população usufruir da bebida, teria que pagar impostos abusivos. A cobrança fez a população se revoltar e quando o governador foi a São Paulo, deixando seu tio no poder, os donos de engenhos e moradores da região de São Gonçalo e Niterói, com o apoio dos soldados, ocuparam a sede do governo e ali se mantiveram por cinco meses, com Agostinho Barbalho eleito pelo povo. No poder, logo jurou fidelidade a Portugal. Mais tarde foi substituído, por incompetência, pelo irmão Jerônimo Barbalho.

Salvador de Sá que havia pedido reforços da Bahia, retomou o poder, montou uma corte marcial, mandou prender os revoltosos e decapitou Barbalho. O Conselho de Portugal, que cuidava das colônias, não tinha ficado satisfeito com a revolta da cachaça, mas, igualmente não gostou da violência cometida contra  Barbalho. Salvador de Sá foi afastado, teve que responder a processo. Voltou para Portugal e nunca mais pode vir ao Brasil. Ainda em 1661, a rainha de Portugal, a regente Luísa de Gusmão, permitiu a fabricação da aguardente no Brasil.

Nos últimos anos o grande diferencial da cachaça artesanal tem sido o processo de envelhecimento que utiliza, além dos barris de carvalho, cada vez mais, as madeiras brasileiras. O nome “Cachaça” passou a ser oficial a partir de 2002 e só pode estar nos rótulos das cachaças artesanais. As industrializadas recebem rótulo de “Aguardente de cana”.

Com a nossa bebida mais famosa e seu toque especial que empresta incomparável paladar à nossa caipirinha, que só não é mais ardente do que o prazer que proporciona aos seus apreciadores, um brinde a Portugal, pelo seu dia!  
 
Http://tribunaportuguesa.com

Edição de 1º/06/2011
 Pesquisa: Museu da cachaça:

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