"Somethings in the rain" - playlist da série

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ZECA BALEIRO e FAGNER

José Ribamar Coelho Santos (Zeca Baleiro), de Arari, Maranhão;
Raimundo Fagner Cândido Lopes (Fagner), de Orós, Ceará:
dois brasileiros muito amados, geniais, num show espetacular,
poético e de muita competência!!!
Vamos para Babylon? rsss



ENTARDECER DO AMOR - Elen de Moraes Kochman





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

NOTURNO - Elen de Moraes Kochman




                      
 Noturno

Elen de Moraes Kochman


Águas de cruas saudades,
Por onde sempre navego,
Choram comigo as dores
Dos amores que partiram...
Noites que - em pesadelos -
Adormeceram estrelas,
Acalentam minhas mágoas
E dão vazão ao meu pranto.

Sobre o universo dos sonhos
A lua balança tímida,
Sem poder me confortar!
A solidão, tão medonha,
Minha fiel companheira, 
Grita por mim o que calo,
Quando sufoco os gritos
Que dilaceram minh’alma.

As loucuras das paixões,
Levaram-me para abismos...
Nas brumas dos meus caminhos
Esfumaram-se ilusões
Que alegravam minha vida...
O que antes era meu norte,
Hoje... é somente um sopro
Que me empurra para a morte.
                     

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

FOICE DO TEMPO - Elen de Moraes Kochman

   





Foice do tempo


Elen de Moraes Kochman


Acordo o tempo
Do seu letárgico sono,
Para reter todo néctar
Da tenra flor do abandono.
Efêmera juventude
Que vaga desajustada
Nas madrugadas da vida,
Cuja memória é estrada
Que balbucia e chora
Sofrida perda dos sonhos,
Por suas esquinas afora.



Acordo o tempo,
Apago as luzes das dores
Para mostrar que a vida
Escorre entre os horrores
E os meios-fios das rugas
Ao longo das avenidas,      
Lavadas e empoçadas        
Pelo sangue ali vertido     
Dos olhos da violência,
Que por cruel abandono
Perdeu a sua inocência.



Acordo o tempo
Antes da noite escoar,
Para que eu tenha mais tempo
De outros sonhos sonhar...
Caminho no beiral do dia
Onde a vida se refaz
Em gomos de fantasia.
Em meio às névoas do cais
Degusto tanta agonia,
Ilusões anoitecidas,
Enlameadas... Perdidas!

Pois contra a foice do tempo
É vã qualquer alquimia,
Inútil qualquer passatempo!


 Publicado na Antologia
     "Terra Lusíadas"
 


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

NATAL SOLIDÁRIO - Elen de Moraes Kochman






NATAL SOLIDÁRIO
Elen de Moraes

Com a crise econômica rondando o planeta, o natal e as festas de fim de ano perdem grande parte do brilho exuberante das luzes que enfeitam cidades e lojas, pela economia que se recomenda. Desacelera-se o consumo e isso se reflete nos presentes trocados e até no cardápio da ceia, porém, não há necessidade mesmo de se gastar tanto, se lembrarmos que o Aniversariante levou uma vida bem simples.

Para quem sempre viveu na corda bamba da crise tendo que economizar e se privar de diversas coisas por não ter bola de cristal para adivinhar o que será do dia seguinte, fica difícil imaginar como pessoas que vivem em países ricos, sem que jamais precisasse “apertar o cinto”, que nunca tiveram necessidade de cortar gastos ou renunciar ao supérfluo, as viagens, roupas caras e boa comida, estão reagindo e se estruturando para o inseguro dia do amanhã, incerto para pobres e ricos.

O momento, além de cuidado com as finanças, pede solidariedade. Quem convive com o medo de perder mais do que já perdeu, deveria se lembrar dos que nunca tiveram nada para perder, dos que sempre sofreram com a escassez de alimento e ainda assim repartem entre si o pouco que conseguem comprar. Talvez, lembrar não seja a palavra adequada e sim aprender.

E aprendido têm os brasileiros que participam das campanhas para um natal melhor e para citar só uma, faço referência à “Campanha de Natal dos Correios”, realizada há 22 anos e que já se tornou sinônimo de solidariedade. Quem se dispõe a ajudar, adota uma das cartas que chegam aos milhares nas agências, enviadas por crianças carentes, endereçadas ao Papai Noel, com os mais diversos pedidos, desde bicicletas, bolas e bonecas, até material escolar e cesta básica para a ceia de natal. Os presentes são levados para os correios, anexados à cartinha que foi adotada, e os mesmos são entregues, gratuitamente, às crianças, antes do natal, pelos funcionários dessa empresa.

Lendo a respeito das campanhas natalinas e sobre as curiosidades desses festejos em outros países, duas histórias chamaram-me a atenção: a mudança do enfoque numa escola para Papai Noel, tendo em vista o treino para comportamento diferenciado, diante da crise econômica e o natal de 2011 da Família Real Portuguesa.

Sobre a escola para Papai Noel na Charles W. Howard, a mais antiga e famosa para treiná-los, dos Estados Unidos, muitas recomendações continuam as mesmas há 75 anos, entretanto, neste ano, a crise econômica tem maior peso. O Papai Noel tem que ter a certeza de nunca prometer nada para as crianças e devem aprender a moderar seus pedidos de acordo com suas famílias e saber o que responderem diante de alguns, tais como: “você pode trazer um emprego para o meu pai”? Até porque muitos Papais-Noéis se encontram ali também por estarem desempregados.

Quanto ao Natal da Família Real Portuguesa, numa entrevista especial dada a uma revista e publicada num blog, são descritos, geralmente, como são seus natais, falam sobre o cardápio de bacalhau, carnes e doces típicos para o dia 25 e o que servem no jantar da véspera, não podendo faltar as receitas brasileiras de crepes de nozes com queijos e natas e fiambre assado no forno com melaço de cana e cravos, pratos preferidos de D. Duarte (e que eu recomendo por serem deliciosos). Quanto aos presentes para as crianças, são ofertados em duas etapas: na reunião familiar do dia 25 de dezembro, recebem os presentes dos tios, avós e demais familiares e em oito de janeiro, dia de Reis, recebem os dos pais. Neste ano, entretanto, devido à crise econômica, “a Família Real decidiu acentuar o seu espírito solidário e combinou com as crianças que cada uma só irá receber um presente dado por todos os tios e o restante do dinheiro, que seria para outros presentes, será doado a uma Instituição”. Segundo a mãe, “é necessário que as crianças percebam que o importante no Natal não são os presentes e sim a celebração da vida do Menino Jesus, o espírito de paz, amor e caridade”. Tai um preceito que é um ótimo exemplo a ser seguido, de adesão e apoio aos necessitados, que traduz, no gesto, o amor ao nosso semelhante, um dos grandes ensinamentos de Jesus Cristo.

Feliz Natal para O Tribuna Portuguesa e sua equipe, seus leitores, anunciantes e colaboradores. E o meu abraço daqui do Brasil.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CATARSE - Elen de Moraes





 
Catarse


Elen de Moraes Kochman


Qualquer êxtase para o tempo se exaurir
Na graça redentora... e a vida se estancar.
Intensa emoção para o amor adquirir
Centelhas... e de novo se inflamar.

Qualquer música para libertar a alma
Alquebrada... magoada pela partida.
Melodia inebriante que me dê calma
E adormeça em meu coração a dor sentida.

Qualquer motivo para suportar a espera...
Catarse para quem chora e se desespera
Por sofrer a dor que alucina, sem indulgência.

Qualquer palavra que faça secar o pranto,
Transformar a amarga lágrima em acalanto,
Pelo amado Ser que se foi desta existência




Catarsis

Versão de Pablo Rueda
Soneto de Elen de Moraes Kochman


Cualquier éxtasis para el tiempo a examinar
en la gracia redentora de la vida a estancar...
Intensa emoción para el amor adquirir,
centella que de nuevo va a inflamar.

Cualquier música para liberar el alma
Quebrada, lastimada por la partida...
Melodia embriagante que me da calma,
Y adormecida en mi corazón, de dolor sentida.

Cualquier motivo para soportar la espera,
catarsis para quien llora y se desespera
por sufrir un dolor que alucina, sin clemencia.

Cualquier palabra que haga secar el llanto
y transformar la lágrima en canto,
por el amado ser, que partió de esta existencia.
 



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E AGORA JOSE - Carlos Drumond de Andrade

Genial interpretação. Vale conferir!

O tempo passa? Não passa - Carlos Drumond de Andrade





















Pelo dia D - (109 anos)



O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.


O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.


Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.


O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.


São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.


E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade,
in 'Amar se Aprende Amando'
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