"Somethings in the rain" - playlist da série

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um futuro ao alcance das mãos: sonho e realidade - Elen de Moraes Kochman

1º/07/2011

O futuro ao alcance das mãos:
sonho e realidade. 





Às vezes escrevo até altas horas e para não me sentir só deixo a tv ligada baixinho. Numa dessas madrugadas, chamou-me a atenção uma reportagem feita nos Estados Unidos sobre jovens americanos que se preparam para vir trabalhar no Brasil. Segundo eles, um país que deixou de ser do futuro, que emergiu e se transformou num lugar de diversificadas oportunidades de trabalho, principalmente para os que têm especialização em determinada área. Buscam informações sobre nossa cultura e se antes havia quem achasse que falávamos espanhol, atualmente fazem questão de aprender a nossa língua. Na Universidade de Pittsburg, Pennsylvania, a língua portuguesa entrou no currículo dos futuros advogados, administradores e engenheiros.

As turmas começaram pequenas, mas, agora contam com mais de cem pessoas frequentando as aulas regularmente. Anteriormente, nosso país chamava atenção por ser “exótico”. Hoje, desejam conhecê-lo por ser importante para a economia global e pelos empregos que surgirão com a Copa do mundo de futebol e as Olimpíadas que acontecerão nos próximos anos.

“Os Estados Unidos do pós-guerra e o Brasil de hoje vivem a antevéspera de uma expansão fenomenal”, afirma Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia. Após décadas de dificuldades econômicas e injustiça social pela grande desigualdade entre pobres e ricos, surge no Brasil uma nova classe média. Não igual à americana daquela época, que era uma sociedade próspera e mais igualitária, porém, com “clara semelhança psicológica. Um otimismo, uma sensação de pujança, de que o futuro está ao alcance da mão”, enfatiza Lamounier.

Esta não é a primeira vez que os americanos dos Estados Unidos se interessam em imigrar para o Brasil. Depois do término da guerra civil, pelos idos de 1865, quando o sul foi derrotado e a falta de alimentos, confisco de colheitas e a destruição de estradas e ferrovias eram noticias em todos os jornais, muitos sulistas passando por tal sofrimento, decidiram deixar sua terra natal e procurar segurança e melhor vida em outros paises. Quando o Rev.Ballard S. Dunn escreveu o livro “Brazil the Home for southerners (Brasil, o lar dos sulistas)”, grande parte deles tomou a decisão de vir para cá. Organizaram-se em associações de amigos e parentes e enviaram representantes para sondagens em diversos países das Américas. Só ao Brasil mandaram cerca de trinta representantes, que foram muito bem acolhidos pelo governo de Dom Pedro II, Imperador nessa época, que colocou à disposição intérpretes e transportes gratuitos, para que conhecessem as mais diversas regiões do país.

Muitos Brasileiros também sonham, ainda hoje, em fazer a vida nos Estados Unidos. O sonho é diferente daqueles dos anos 50 e 60, quando o cinema nos mostrava a vida glamourosa dos artistas, quando o rock estava no auge e nos apaixonávamos por aqueles homens belíssimos de olhos claros, que só víamos nos filmes e numa ou noutra revista. Os rapazes se identificavam com os “mocinhos” que “desbravavam o oeste em busca do ouro”. Sonhávamos o mesmo sonho dos americanos! Rejeitávamos o samba, só queríamos ouvir músicas americanas, vestir calças jeans e amarrar o cabelo num rabo de cavalo como as meninas dos filmes. Era “chique” e sinal de status mandar os filhos passear na Disney.  Hoje, ainda há adolescentes que preferem festejar lá seu aniversário de quinze anos. O sonho era maravilhoso, porém, seu despertar, para os que não recebiam o visto de entrada no país e usavam a fronteira do México, era (e é) o pesadelo de viver na clandestinidade, desempregados, sem dinheiro para voltar e muitas vezes sendo presos, isso quando não perdem a vida ao tentar atravessar a fronteira.

Presentemente, a indústria de turismo americana pressiona  para que a exigência do visto de entrada para os brasileiros seja abolida. Uma pesquisa nos apontou como o povo que mais  gasta dinheiro nos Estados Unidos. Calcula-se que a cada ano se cria 42 mil empregos com o movimento dos turistas brasileiros. E olha que, em média, aqui se espera na fila uns quatro meses para que o consulado dê, ou não, o tal visto e o consulado de São Paulo é o que mais o emite para os Estados Unidos, no mundo. Porem, grande parte desiste de esperar e vai para a Europa, Oriente ou faz turismo por aqui mesmo.

Agora o sonho se inverte: quem partiu, pelo sonho americano, hoje volta, pela realidade brasileira. Alguns, com emprego arrumado; outros, para montar o próprio negócio e muitos com a esperança de logo arranjar uma colocação. Voltam com alegria pelo reencontro com a família e o orgulho de serem filhos (e donos) do solo desta mãe gentil, chamada Brasil.

terça-feira, 19 de julho de 2011

LUA CONFIDENTE (sonho de adolescente) - Elen de Moraes Kochman





LUA CONFIDENTE
(Sonho de adolescente)

Elen de Moraes Kochman




Meu sonho de Cinderela,
tantos anos desejado,
era olhar o anoitecer...
Ver através da janela,
de algum castelo encantado,
a lua cheia nascer;

ver uma estrela cadente
numa dança sem igual,

piscando incessantemente
no seu bailado final;

ver a noite com seu manto
cobrir colina distante
e silenciar o canto
de um passarinho errante;

no jardim iluminado
pela lua confidente,
ver chegar o meu amado...
e com seu jeito envolvente
tomar-me... apaixonado,
num beijo intenso e ardente...


Ver o dia amanhecer
aconchegada em seus braços,
satisfeita... e adormecer



sábado, 2 de julho de 2011

Poente sobre o Rio de Janeiro - da Elen de Moraes


Que me venha o poente
com seus tons
avermelhados,
dar vida,
colorido
e paixão
aos meus sonhos
cor de rosa...
Linda noite, amigos!

UM BRINDE A PORTUGAL PELO SEU DIA - Elen de Moraes Kochman





Um brinde a Portugal                            
                                         Pelo seu dia!
 
Elen de Moraes Kochman

Neste mês de junho quando se festeja o dia de Portugal, oportuno se faz relembrar os importantes feitos da sua história, seus audazes navegadores, o destemor do seu laborioso povo ao embrenhar-se por terras recém- descobertas, desbravando-as, sua intrepidez ao demarcá-las, confrontar nativos, expulsar invasores, fundar povoados, fixar o homem no campo e lhe ensinar o cultivo do solo com mudas de plantas trazidas de outros continentes, como a cana-de-açúcar, que durante séculos foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando homens e nações e que ainda hoje contribui, grandemente, para gerar riquezas em nossa terra.

Quando Martim Afonso de Souza trouxe consigo, do sul da Ásia, suas primeiras mudas, talvez jamais tenha imaginado que estaria permitindo ao Brasil, séculos depois, tornar-se um dos principais exportadores de açúcar, ser o maior produtor do biocombustível tirado da cana, o etanol, e ocupar posição de liderança na tecnologia da sua produção, conquistando sua auto-suficiência com esse combustível alternativo, não poluente, que supre hoje metade da nossa frota de  carros leves.

Consta que o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, que se tem notícia, o famoso Engenho São Jorge dos Erasmos, cujas ruínas podem ser visitadas ainda hoje, foi instalado pelos Açorianos, em 1532, no litoral paulista, na Capitania de São Vicente. Segundo alguns historiadores, nessa época, a cana já era plantada em Pernambuco e na Bahia.

Com o açúcar, nasceu, por acaso, a cachaça e sua história se confunde com a descoberta do Brasil. O método consistia em se moer a cana, ferver o caldo e em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas. Quando o caldo desandava e fermentava, era jogado fora, dando origem a um produto que se chamava “cagaça”, que servia para alimentar os porcos e que os escravos tomavam e trabalhavam com mais vontade. Não há consenso quanto ao seu nome. Alguns pesquisadores têm outras teses. Através dos tempos, ganhou apelidos: caninha, pinga, abrideira, engasga-gato, água que passarinho não bebe, branquinha, “marvada” e outros.

Na época do Brasil colônia, a bebida foi usada como moeda de troca na África, na compra dos escravos. O sucesso da Cachaça era tanto e tão grande a sua preferência, que o destilado português, a Bagaceira, foi perdendo terreno, dando enormes prejuízos à Coroa e, por isso, os impostos foram sobretaxados sobre a venda da nossa aguardente, o que não resolveu o problema, porque ela passou a ser contrabandeada. Portugal, então,  decidiu proibir a sua produção e se alguém fosse pego descumprindo as leis, seria extraditado para a África. Muitos alambiques foram destruídos e navios queimados.

Nos fins de 1660, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, visando o lucro gerado pela bebida, ignorou a proibição e liberou seu consumo e fabricação, mas, para a população usufruir da bebida, teria que pagar impostos abusivos. A cobrança fez a população se revoltar e quando o governador foi a São Paulo, deixando seu tio no poder, os donos de engenhos e moradores da região de São Gonçalo e Niterói, com o apoio dos soldados, ocuparam a sede do governo e ali se mantiveram por cinco meses, com Agostinho Barbalho eleito pelo povo. No poder, logo jurou fidelidade a Portugal. Mais tarde foi substituído, por incompetência, pelo irmão Jerônimo Barbalho.

Salvador de Sá que havia pedido reforços da Bahia, retomou o poder, montou uma corte marcial, mandou prender os revoltosos e decapitou Barbalho. O Conselho de Portugal, que cuidava das colônias, não tinha ficado satisfeito com a revolta da cachaça, mas, igualmente não gostou da violência cometida contra  Barbalho. Salvador de Sá foi afastado, teve que responder a processo. Voltou para Portugal e nunca mais pode vir ao Brasil. Ainda em 1661, a rainha de Portugal, a regente Luísa de Gusmão, permitiu a fabricação da aguardente no Brasil.

Nos últimos anos o grande diferencial da cachaça artesanal tem sido o processo de envelhecimento que utiliza, além dos barris de carvalho, cada vez mais, as madeiras brasileiras. O nome “Cachaça” passou a ser oficial a partir de 2002 e só pode estar nos rótulos das cachaças artesanais. As industrializadas recebem rótulo de “Aguardente de cana”.

Com a nossa bebida mais famosa e seu toque especial que empresta incomparável paladar à nossa caipirinha, que só não é mais ardente do que o prazer que proporciona aos seus apreciadores, um brinde a Portugal, pelo seu dia!  
 
Http://tribunaportuguesa.com

Edição de 1º/06/2011
 Pesquisa: Museu da cachaça:


quinta-feira, 30 de junho de 2011

CORRER ATRÁS DO VENTO - Elen de Moraes Kochman




Correr atrás do vento
 

Elen de Moraes

Tem dias que acordo com a estranha sensação de que não sou deste lugar. Sinto a casa vazia, sem vida, evidenciando objetos que me parecem tão fora do comum, que não os reconheço como meus. Os móveis se revelam gastos, sem brilho, as cortinas e estofados já não têm aquele cheiro característico de tecido novo - nem viço - e os tapetes dão idéia de ocupar espaços e não de enfeitar o ambiente ou amortizar ruídos.

Nesses dias a paisagem que há muitos anos vislumbro do meu terraço, não a distingo mais com a exuberância de antes e, para dizer a verdade, não sei se a vejo porque os meus olhos podem enxergar ou se porque é impossível não divisar os edifícios que brotam como ervas daninhas bem adubadas, entre os antigos e ensolarados casarões, agora sombrios e desbotados, que eu, romanticamente, tanto gostava de admirar.

Até o ir e vir dos transeuntes, que me deixava curiosa tentando adivinhar seus pensamentos, dores e alegrias da alma, dá-me a impressão de pessoas apressadas  que andam de lá para cá, sem que eu consiga entender se conversam consigo mesmas ou se seus lábios se movimentam em rituais silenciosos, em preces, ou se dizem impropérios contra as calçadas mal conservadas e as ruas mal iluminadas.

Pior do que essa estranha sensação é a de me sentir invisível quando cumprimento alguém nos elevadores ou corredores do prédio onde moro. Respondem olhando o teto, o chão ou ajeitando-se ao espelho. Não se dão ao trabalho de se voltarem para ver com quem falam. Só as crianças, meio tímidas, fazem perguntas. Há exceções, bom lembrar. Os porteiros e empregados, geralmente, sorriem com gentileza quando entro ou saio, mas sinto que não me vêem.  Também não sei se os vejo, pois jamais sei se são novos ou antigos no emprego, posto que não consigo identificar o que os diferenciam, uma vez que todos têm o mesmo olhar entristecido e a velha desilusão no rosto marcado pelo cansaço.

Ponho-me a pensar por que tudo isso me causa desgosto se antes não me sentia assim e por que só agora o tempo se detém nos detalhes que eu não percebia. Por que, de repente, a vida perde o sentido da graça, dando-me a impressão de que tudo se repete com as horas, os dias e os anos. Pergunto-me em quais momentos me perdi de mim ou será que são nesses estranhos e amiúdes momentos que me encontro?

Descartada a hipótese de alguma patologia, sobra certeza do vazio existencial, da intolerável rotina, a convicção de que mais da metade da vida é passado e que futuro é só uma esperança, sobra a segurança plena que isto é envelhecer, ou seja, esse sentir-se estranho na própria casa e transparente para a família, vizinhos e muitos que se dizem amigos, como se fizéssemos parte da mesma paisagem observada dia após dia.

Dizem que envelhecer é isso e que é melancólico porque, aos poucos, nos transformamos em alguém que muitos olham sem ver, que ouvem sem escutar, com quem conversam sem dialogar, que questionam sem querer respostas.

Envelhecer, então, é aceitar a rotina do tempo, o que os outros nos impõem, além do que já nos impõe a vida? E os sonhos que ainda sonhamos, onde os colocamos? Enterramos com os anos e as ilusões que se foram? Ninguém deseja ser aquele “móvel velho” que é deixado para trás, colocado na porta como lixo, quando a família vai para novo endereço. Tampouco a “antiguidade” que é tratada com cuidado só pelo seu valor comercial.  Figura de retórica à parte, importante é reagir, mudar, recomeçar! E não permitir, jamais, ser tratado como objeto fora de uso.

 “O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos”, diz Airton Luiz Mendonça e continua: “se repetirmos algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida”. Se ao envelhecermos a vida se transforma numa rotina sem fim, e perde a graça e os dias parecem menores, o segredo está em vivenciarmos coisas novas, aquelas que a mente vai parar e pensar. Os dias nos parecerão mais longos e cheios de novidades, a vida mais colorida e movimentada. 

Salomão, do alto da sua notável sabedoria, explica esses questionamentos. Em seus livros de Provérbios e Eclesiastes, fala sobre a nossa finitude e sobre o tempo de todas as coisas: nascer, morrer, rir, chorar, plantar, colher, etc., e mesmo quando afirma que tudo na vida é vaidade, é correr atrás do vento, ele nos ensina e encoraja a aproveitar as coisas boas que ela nos oferece sem, entretanto, esquecermos a transitoriedade das mesmas.




sábado, 25 de junho de 2011

PARTIR (tributo a Michael Jackson) - de Elen de Moraes Kochman






 PARTIR...
(Pântano do tempo)

Elen de Moraes Kochman


Partir... 
Romper amarras
Em busca de horizontes impensados,
Perseguir ilusões temerárias,
Viajar pelos sonhos postergados
Das terras do nunca... Imaginárias!

Partir...
Libertar-se dos grilhões,
Dos fantasmas... Dos medos passados!
Sondar, dos mistérios, os calabouços, 
Vaguear por lugares encantados,
Esquadrinhar, de outras esferas, os arcabouços.

Partir...
Vestir-se de escolhas,
Abrir par em par, da alma, as escotilhas,
Com destemor pelo desconhecido.
Navegar, peito aberto, sulcando armadilhas.
Jogar no esquecimento o que foi preterido.

Partir...
Despir-se de controles,
Descerrar um a um, do futuro, 
Os finos véus que encobriam esperanças.
Trazer à luz o que estava obscuro...
Desvencilhar-se de tantas cobranças!

Partir...
Adormecer com a verdade
E acordar nos labirintos da certeza...
Cingir-se com o manto da liberdade,
Dar novas cores, fantasia e beleza
Ao embrulho da áspera realidade.

Partir...
Palmilhar estradas,
Encharcar os pés no pântano do tempo.
Tempo apressado que o presente invade,
Tempo liberto de todo sofrimento!
Tempo que se dilui... no rasto da saudade...
 
Tributo à Michael Jackson
Rio de Janeiro, 25 de junho de 2009

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ASI FUÉ - Isabel Pantoja






ASÍ FUE

Isabel Pantoja

Perdona si te hago llorar
Perdona si te hago sufrir
Pero es que no esta en mis manos
Pero es que no esta en mis manos,
me he enamorado,
Me he enamorado,
me enamore.
Perdona si te causo dolor
Perdona si hoy te digo adiós
Como decirle que te amo
Como decirle que te amo
Si el me ha preguntado,
le dicho que no,
Le dicho que no.

Soy honesta con el y contigo
A el lo quiero y a ti te he olvidado
Si Tu quieres seremos amigos
Yo te ayudo a olvidar el pasado.

No te aferres,
Ya no te aferres, a un imposible
Ya no te hagas,
ni me hagas mas daño.

Tu bien sabes que no fue mi culpa
Tu te fuiste sin decirme nada
Y a pesar que llore como nunca
Yo seguía de ti enamorada.

Pero te fuiste
Y que regresabas,no me dijiste
Y sin mas nada por qué? No se
Pero fue así,así fue.

Te brinde la mejor de las suertes
Me propuse no hablarte ni verte
Y hoy que has vuelto ya ves,solo hay nada
Ya no puedo ni debo quererte.

Ya no te amo
Me ha enamorado,de un ser divino
De un buen amor
Que me enseno a olvidar
y a perdonar


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