"Somethings in the rain" - playlist da série

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

INSENSATEZ- (ciranda)- Elen de Moraes Kochman, NO INSTANTE EM QUE TU ME QUISERES - Luiz Poeta, - AUSÊNCIA - Decio de Oliveira, A MIM NADA ME FALTA - José M. Raposo






NO INSTANTE EM QUE TU ME QUISERES

Luiz Poeta
- Luiz Gilberto de Barros - 
Às 23 h e 23 min do dia 19 de agosto de 2007
Especialmente para a poesia de Elen de Moraes




Como tu és tola ! Insensatamente,
Dizes que eu te falto... Mas se tu me evocas,
Eu me aproximo... Entro em tua mente
E, se tu quiseres.. Tu até me tocas !

Sentes minha falta, mas estou tão perto;
Na verdade dentro do teu coração...
E se o coração não está mais deserto,
Como eu te falto ? Se te amo então ?

Choras minha ausência, mas quando tu choras,
Quem acaricia o teu rosto triste ?
Não é na saudade que te revigoras ?
Se sentes saudades... A presença existe !

Dizes que me beijas quando estás sonhando;
Que sou só um vulto nos teus pensamentos,
Mas se tu me beijas, tu estás me amando,
Não estás sozinha... Tens meus sentimentos.

Queres que eu volte... Pensa, sonha...chama !
O amor reclama, quando a solidão
Sofre o abandono de quem não se ama
E se tu não amas, nem tens coração...

Quando tu sonhares... Não te desesperes.
Pede o que tu queres e eu te atenderei
Chegarei no instante que tu me quiseres
Pede que eu te ame... E eu te amarei.

Porém, quando o sonho, gradativamente
Afastar meu rosto desse teu olhar...
Não chores, não sofras... É na tua mente
Que o meu amor insiste em se abrigar.

Então, quando um dia, triste, desistires
De sonhar, a vida te acolherá;
Não precisarás partir, mas se fugires
Tu me levarás dentro do teu olhar.



AUSÊNCIA


Décio de Oliveira

Cemiterio de lembranças
no mar morto da saudade
levada nas asas do esquecimento!
Pensamentos
que se confundem com as vagas
que nao cessam
e se perdem
nas cavernas virgens dos rochedos
no oceano derramadas.
Pedaços da alma
dispersos na bruma
do luar que chora
quando a aurora desperta
os sonhos amortecem
e, de luto vestida,
carpe a saudade
despojada de amor.

A MIM NADA ME FALTA

Jose M. Raposo

A mim nada me dói,
Nada me falta...
Nem lembranças,
Nem esquecimentos,
Nem a brisa de soltos ventos
Bailando  nos pinheirais.

A mim nada me falta...
Nas longas noites sonhando
Em que meus pobres madrigais,
Num coração palpitando,
Fazem o amor ferver.

Nem que a montanha mais alta
Eu tenha de escalar,
Para que eu possa dizer
E a todo o mundo gritar
Que por eu não te esquecer,
A mim nada me falta...




domingo, 7 de outubro de 2012

VOO SOLO (Liberdade vigiada) - Elen de Moraes Kochman





Voo Solo


Elen de Moraes



A alma,
liberta do assédio do tempo,
descansa
no colo da inocência.

O corpo,
refém das paixões
e dos desejos,
desata-se
das garras cruéis da solidão.

Os pés,
vestidos com sapatilhas

de sonhos,
tropeçam
nos caminhos
anoitecidos pelo tédio.
 

O pensamento
prisioneiro,
mas libertário das palavras,
reinventa
os versos da sua poesia.

O coração,
perdido nas encruzilhadas
do amor,
desfibra-se
nos tortuosos meandros da rejeição.

As asas,
embaraçadas nas grades
da indiferença,
desvencilham-se
das teias do conformismo,
desenredam-se
dos nós que atam
a sua liberdade vigiada...


E alça seu voo solo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O TEMPO E SUA ETERNIDADE - Elen de Moraes Kochman



O tempo e sua eternidade


Elen de Moraes Kochman


O tempo que movimenta pensadores, poetas, religiosos, historiadores, psicólogos e muitos mais, que não nos aflige quando jovens diligentes e sonhadores, no entanto, que nos  atormenta numa determinada altura da vida, quando sentimos o seu galope desenfreado e nos percebemos cansados para domá-lo, é um aliado para os otimistas e realizadores e um indiferente apressado para quem vive por viver e deixa a vida acontecer, sem prestar atenção à própria existência.



Com a finitude do Ser, terá o tempo um fim ou será o tempo a própria eternidade? Não raro me pego envolvida com esses questionamentos.


Antes me batia uma grande ansiedade nesses instantes de ponderações e como me furtava a entendê-los, sacudia os pensamentos, deixava a angústia bater asas, o cérebro  neutralizar as dúvidas e as explicações. Porém, fui me dando conta de que não adiantava fugir, porque o tempo torna-se um partícipe assíduo das minhas incertezas à medida que a vida avança e a idade se diverte com as marcas das expressões que me surgem, que vão dando ênfase ao meu rosto e ao meu corpo, e me enxergo no abraço desse tempo, sendo levada como nas águas de um dique que se rompe.


Atiça-nos a vontade de segurar o tempo ao darmos conta de que ele é escasso quando, com a agitação das grandes cidades, os dias correm, as noites voam, o corpo mal se adapta e descansa e a mente insone entra pela madrugada, acompanhada – e tão só – pelo silêncio das altas horas e os embates do cotidiano. Em contrapartida, a vida no campo, que passa em câmera lenta, com sua pasmaceira, do mesmo modo que nos dá a vantagem da contemplação, nos incita o desejo de movimentar e adiantar esse tempo.


Quando o filme da nossa vida começa a rodar e surgem as imagens de uma época que nos parece tão recente, mas tão longínqua, incomoda constatar que o tempo se alia à fragilidade do Ser para mostrar a nossa limitação. Nessas horas me vem à lembrança o sábio e famoso conselho que o poeta romano Horácio (65 a 8 a.C.) deu à sua amiga Leucone, (ODES -1,11.8- “...carpe diem, quam minimum crédula postero”): “...colha o dia de hoje, quanto confie o mínimo possível no amanhã”.  Por acreditar em vãs promessas e fazer planos para um futuro distante demais do hoje (e aguardar a sua chegada), é que perdemos parte da existência e da felicidade.

Por que adormecer os sonhos, postergando-os, à espera de dias melhores? Já agi assim e não tive frutos a colher. Então, hoje trago-os bem acordados! Se eles são os meus desejos possíveis, se só dependem de mim, quero, devo e tento realiza-los o mais breve que posso. Se não, troco-os por uma realidade mais à vista, porque não quero nada que me impeça de viver, plenamente, cada hora do meu aqui e agora.

Para quem cultua o presente, o tempo é música que canta para a vida que segue adiante, é a consciência do instante, é o olhar sobre a natureza que desabrocha, é o sorriso da paisagem revisitada a cada manhã. Faz-me lembrar das palavras do meu Mestre, em Mateus 6.34: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”.

O tempo não é o senhor absoluto do meu futuro, tampouco guardião do baú onde conservo lembranças e mágoas do que foi ou do que poderia ter sido e, sim, o amigo que permito acompanhar-me enquanto vivo. Digo, não sou mais escrava de um tempo marcado, de horas e minutos cronometrados. De mãos dadas - eu e ele - seguimos o curso natural da vida. Se ele tiver pressa, que se adiante e me deixe ao sabor dos meus momentos e sentimentos..

Há quem diga que o tempo é o vazio que sobra depois de tudo; outros, que é a consciência mais nítida do que acontece à nossa volta e há ainda quem afirme que é o elo entre o passado, o presente e o futuro. No entanto, para muitos que têm o privilégio de se debruçar sobre a janela do tempo, é o caminho inexorável cujo portal atravessam, com tranquilidade e aceitação, enquanto envelhecem. 

O tempo pode mudar a nossa aparência, deixar à flor da pele as nossas expressões de dores e alegrias, debilitar o nosso corpo, entretanto, não é capaz de nos tirar a juventude da alma, a esperança do coração, o prazer de viver, a firmeza do pensamento, o entusiasmo de nos apaixonarmos, a emoção de amar, enquanto nos achegamos à eternidade.






segunda-feira, 24 de setembro de 2012

COMIA-TE TODA - Elen de Moraes Kochman






COMIA-TE TODA!

Elen de Moraes Kochman   

                      
Comia-te toda... minha torta gostosa!
Só de te olhar sinto um enorme calafrio
tomar conta de mim... e tu, toda cremosa,
provocas-me... Pões minha dieta por um fio.


Da vitrine, te ofereces tão glamourosa...
Meu desejo por ti é mais que doentio:
ele se apodera, de forma vergonhosa
dos meus fracos sentidos... do meu desfastio.


Quero esse teu volteio de merengue mole
seduzindo-me... como na dança de um tango.
Só de te imaginar... minha fome te engole!


O meu pecado é desejar comer-te... assim.
Como resistir ao chantilly com morango,
se te ofereces, continuamente, pra mim?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CERTEZAS - Mário Quintana



 CERTEZAS


Mário Quintana



Não quero alguém que morra de amor por mim...



Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.




Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...



Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível...



Só quero que meu sentimento seja valorizado.Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.



Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.



Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

UM DIA VOCÊ APRENDE... - William Shakespeare





 Um dia você aprende...

William Shakespeare


“Depois de um tempo você aprende a diferença, a  sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma”.

• E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

• E começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

• E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

• E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

• Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

• E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

• Aprende que falar pode aliviar as dores emocionais.

• Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

• Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem da vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

• Aprende que não tem que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

• Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a veremos.

• Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

• Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que se pode ser.

• Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

• Aprende que não importa onde chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.


• Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja a situação, sempre existem dois lados.

• Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequencias .

.  Aprende que paciência requer muita prática.

• Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

• Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou.

• Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

• Aprende que nuca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

• Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

• Descobre que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

• Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

• Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

• Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

• E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

“Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

terça-feira, 18 de setembro de 2012

EXORTAÇÃO - J.G.de Araujo Jorge - 1935





Exortação



- Poema de JG de Araujo Jorge -
extraído do livro
"Bazar de Ritmos" 1a edição1935 )



Sonha, poeta!... O sonho é o entorpecente,
o mais sublime tóxico do mundo,
a morfina ideal do teu viver...
-sonha um sonho infinito, azul, profundo,
indefinidamente,
e esquece a vida que tu tens presente
pela vida maior que há no teu Ser!

Esquece tudo, o próprio mundo esquece,
e esquece a tua vida, porque a tua vida
vale mais se a souberes fazer grande
e cada vez maior
na tua exortação...
Se o teu destino é estranho e é diferente,
se não nasceste igual a toda gente,
- ensina o canto livre e a vida nova
aos Prometeus da Razão!

Faze tu mesmo, o teu próprio Universo,
- tua terra
- teu céu
- tua vida
- teu verso...
E o Universo dos homens que te importa então?
Sê louco!... Que a loucura é essa subida
de pequenez restrita da verdade
à grandeza infinita da Ilusão!

O teu sonho não traz o pedestal na terra,
teu espírito é assim como um condor boiando
nos espaços azuis...
Sobe... devassa os céus, de lado a lado,
vê se existe algum poeta, além, por outros mundos,
esse poeta que à noite escreve com as estrelas,
não tendo ao solo acorrentado os pés!

Sonha, poeta!... Eu quero ver-te aflito
sacudir os teus braços na amplidão
a ferir com teus dedos o Infinito...
E ao baixar tuas mãos,
de novo ao vê-las,
hás de exclamar, tenho-as de ouro e lilás!;
e olhando para o céu
verás o céu sangrando
de estrelas,
e as tuas mãos, a transbordar estrelas
assombrado verás!

Não trouxeste o destino de arrastar
a tua ânsia na terra
onde os homens pregados vão de rastros...
Solta a tua alma azul no espaço azul,
os teu sonhos semelham-se a bandeiras
fremindo ao vento no cordel dos mastros!
- vai brincar com os cometas sem destino
e conversar com os astros!

Sonha! Que este sonhar só bem te faz!
Sê sempre o mesmo:
Um louco!
Um incomum!
Não te sujeites a domínio algum,
e que o teu sonho não acabe mais!




sábado, 15 de setembro de 2012

SOMBRAS INTERIORES - haikai de Elen de Moraes Kochman - e um POEMA DE PABLO NERUDA


Poema de Pablo Neruda


Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama...

De todas as verdades escolheram o dia....
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras...
A ventura é uma torre transparente...
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos...

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza a eternidade...


(Quem souber o autor da tradução pf avisar para que eu dê o devido crédito)
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