"Somethings in the rain" - playlist da série

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Apresentação de Reinadi Sampaio, para o seu livro de sonetos - Elen de Moraes



Amigos,

hoje, aniversário da nossa amiga
Reinadi Sampaio,
"Florbellaba"
deixo, em sua homenagem,
e para que a conheçam melhor, a apresentação
que fiz para o seu livro de sonetos que,
brevemente,
será lançado na Bahia.


Reinadi Rodrigues Sampaio,

Flor, para os amigos, nasceu sob o signo dos vitoriosos, no fantástico e mítico sertão baiano, decantado na literatura e na música brasileira, região empoeirada e castigada pela seca, circunstância que, longe de deixá-la frágil como as plantinhas que alí sucumbem sob os inclementes raios do sol, tornou-a delicada e exuberante como a flor do cacto, porém, forte e resistente como os espinhos dessa mesma espécie.

Recebeu a vida com a mente e os braços abertos, tão sedenta como as folhas que se abrem para receber o refrigério das orvalhadas madrugadas.

Sonhou todos os sonhos da ingênua infância e juventude sertaneja, mas teve o privilégio e o cuidado de aconchegá-los com o manto estrelado do céu do agreste e isso lhe conferiu docilidade feminina, confiança e um jeito faceiro de ser e estar, além de plantar nas pontas dos seus dedos o pendor para as artes, semente que só deu frutos anos mais tarde.

Entre idas e vindas, casamento, filhos e a faculdade de Psicanálise, ela jamais sufocou seus anseios artísticos, embora os tenha adiado por tempo longo demais.

Certo dia decidiu pintar e debruçou-se sobre a criação de belíssimos quadros. Com dedos nus, sem pincéis, sua pele tocando a tinta, seus dedos obedecendo a sua inspiração, em movimentos arrebatados, não sossegava enquanto não via surgir à sua frente, a paisagem imaginada.

Do mesmo modo, como aconteceu às telas, inclinou-se pela escrita poética e, assim, nasceram suas poesias encharcadas de claridade, matizadas de cores vividamente alegres e de emoções incontidas.

Depois de belos e incontáveis poemas em versos brancos, vencida a resistência em deixar-se amarrar por métricas e rimas, concluiu que era hora de escrever líricos sonetos. Buscou aprender a técnica, já que lhe sobejava inspiração.
Hoje, seus pensamentos inspirados e suas palavras artisticamente elaboradas são semeados sobre seus versos com a impetuosidade da mulher apaixonada, com engajamento ético e social, entretanto, com o carinho e o desvelo da mãe que acolhe em seu regaço um filho que acaba de nascer.

Reinadi tem nas lágrimas e no sorriso a simultânea facilidade e, como a maioria dos poetas, vive além do seu tempo e aquém da realidade comum aos mortais. No entanto, carrega consigo, seja em sonho, virtual ou fisicamente, a convicção de que a menina nascida sertaneja ainda habita o seu mundo e olha, com o deslumbramento de sempre, aquele céu estrelado do sertão, certa de que o infinito é a sua meta.

Agora, Reinadi inicia, através do amor, uma viagem por caminhos forrados de sentimentos poéticos, deixando sua alma impressa nas páginas deste livro que ora coloca em vossas mãos, com a certeza de que sabereis acautelá-la com a  mesma ternura com que ela trouxe à luz cada verso da sua poesia.

Elen de Moraes Kochman
Rio de Janeiro - Brasil

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UM E-MAIL DO ALÉM - Elen de Moraes Kochman


 
UM E-MAIL DO ALÉM...
Assunto: Infelizmente, o mesmo! 




Num sitio da internet onde portugueses e brasileiros se congregam, o assunto tem sido, ainda e infelizmente, “putas brasileiras”, como escreveu num artigo, há uns dias, um jornalista português. Bastou, para o incêndio! Defesas e acusações dos dois lados. Mexeu até com quem já partiu para a eternidade, pois de lá recebi um e-mail, com o seguinte teor:

“Olá amiga, o assunto é longo. Acomoda-te!

Escrevo-te porque fui chamada à presença do Chefe e incumbida de uma difícil missão e quero dividi-la com alguém. Levei um grande susto com o chamado. A dúvida embaraçou-me antes que meu cérebro a digerisse. Achei que tinha feito algo errado. Não que eu não erre! Reconheço que “piso na bola”, mas Ele, amorosamente, me tem alertado sobre esse meu jeito de ferver em água fria (expressão roubada aos portugueses).

Sosseguei meu receio ao inteirar-me da incumbência: pesquisar os motivos de tantas discussões entre brasileiros e portugueses. Reclamações chegam de ambos os lados, argumentou. Pareceu-me preocupado, haja vista que os ânimos se acirram. Pelo que apreendi do Seu olhar, o tempo vai fechar!

Sabe, aqui vivemos em paz celestial. Portugueses e brasileiros unidos, feito unha e carne! Isso se deve à Sabedoria do Chefe que promoveu, divinamente, a harmonia. Explico: ao chegar, informaram-me que brasileiros ficam sob orientação dos portugueses e vice-versa. Dão-nos a prerrogativa de escolher sob as ordens de qual famoso orientador queremos ficar. Perguntei se era penitência. Disseram que não, embora tenha notado certo riso disfarçado no canto dos lábios daquele Senhor simpático que me recebeu.

Adivinha quem escolhi! Camões, claro! Não poderia ser outro, porém, depois me arrependi: quem optou por Bocage, ri e se diverte o tempo todo e nós, camonianos, trabalhamos, estudamos e nas horas vagas aprendemos sobre as aventuras dos navegantes e do império português que fundaram além mar.

Camões é exigente e sisudo. Chama-me a atenção pelas mínimas coisas, diz que falo gírias demais, que rio e falo alto, o que não fica bem para uma mulher e de uns tempos para cá cismou que ando a “paquerar” o Fernando Pessoa. Devo admitir meus suspiros por aquele homem misterioso, mas, é só! Ele vive às voltas com os “seus outros EUS”! Entretanto, o que mais irrita Camões é quando misturo inglês com a nossa língua. Fica irado! No Brasil, as duas línguas se juntam em total desarmonia e a gente se vicia e fala errado. São out-doors anunciando a new fragance, o layout da comida express e delivery, os fitness, a roupa fashion, sem falar dos programas para os computadores. Camões, por mais que eu me desmanche em motivos, não aceita que o brasileiro se deixe comprar e vender pelo que fala e come.

Estou aflita: descobri que vou passar a eternidade todinha com Camões. Céus! Ele só me permitirá ir para outro departamento quando eu estiver falando a pura língua portuguesa, a que se fala em Portugal, sem gerúndios, estrangeirismos, gírias e sem comer o final das palavras. “Tadinho”! Não tive coragem de lhe contar sobre o que as novelas brasileiras fazem por lá. Os miúdos desaprendendo o português e a juventude a passear pelos calçadões. Cá entre nós, amiga, vai ser uma longa eternidade até Portugal voltar a ser o que era... Se bem que eu tenha aprendido a aceitar Camões com seu jeitão calado e irascível. Às vezes eu o pego me olhando e coçando a barba e outro dia me disse que numa hora dessas vai me levar a passear e explicar o porquê de ter escrito que o “amor é fogo que arde sem se ver”. Não entendi! Depois te conto!

Esquecia-me do motivo principal desta carta: as “putas brasileiras”, como se fala por lá. Camões diz que a culpa é da língua que possui palavras iguais, com significados diferentes. Não creio! No português coloquial do Brasil, prostituta é a mulher que faz sexo, profissionalmente, por dinheiro (nada a impedir que sinta prazer) e puta, a que faz sexo só pelo prazer, com mais de um parceiro, tipo a mulher casada que tem amante. E é só no Brasil que isso acontece? Fala sério! Daí a revolta quando alguém se refere dessa forma às mulheres brasileiras, como se todas fossem iguais. Talvez a intenção de quem fala seja ferir mesmo. A maioria, incluindo-me, tem aversão à palavra e penso que a ojeriza nasceu no dia em que Cabral desembarcou no Brasil, com todos seus homens em jejum e se depararam com as índias, belas e peladas. Será que ninguém imagina o que aconteceu? Pero Vaz de Caminha não relatou esses fatos (ou factos?) naquela carta, todavia, o assunto já foi matéria de pesquisa numa Universidade. Talvez, a partir daí, tenha nascido o amor de tantos portugueses pelas brasileiras e o pavor das brasileiras pela palavra em questão.

Para terminar, uma dica: avisa aos portugueses que gostam de músicas e poesias para escolherem Vinicius de Moraes como Orientador: a turma dele aqui em cima, só faz cantar, escrever e admirar as garotas de Ipanema.

Chega de prosa por hoje!
Obrigada por me ler.
Até mais!”


Por Elen de Moraes



Edição: 15/07/2010



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

MELANCÓLICO TRINADO - Elen de Moraes





 Melancólico trinado


Elen de Moraes Kochman


Minha cidade amanheceu assim...
Tão fria e cinzenta... como a saudade
Que rasga meu peito... que não tem fim!
Magoada lembrança que hoje me invade!

Aquele adeus que outro dia deixaste
Atrás de ti, a ocupar teu lugar,
Tirou-me lágrimas quando o acenaste,
Dizendo nunca mais aqui voltar.

A névoa trouxe consigo um sanhaço
Que, encolhidinho, triste e solitário,
Pousou na amurada do meu terraço
E destravou seu canto solidário.

A minha dor certamente entendeu,
Porque - com seu merencório trinado -
O seu pranto veio juntar ao meu.
E o nosso amor já desesperançado,

Chorado em contas de um gasto rosário,
Acautelei, para não mais sofrer.
Lembranças tuas guardei num sacrário.
E só então pude voltar a viver.


domingo, 23 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OUVINDO ESTRELAS - Elen de Moraes


Revisitando...

Pelo aniversário de 92 anos da minha mãe Maria
OUVINDO ESTRELAS...

Elen de Moraes Kochman


Parece que foi ontem! Ainda te vejo embaraçada e sorridente entre o farfalhar das folhas outonais, amarelecidas, que coalhavam o chão daquela pracinha e o assovio do vento que, brincalhão, rodopiava por entre as árvores centenárias, remexia os teus cabelos e levantava a tua roupa... Sem entender a tua preocupação, me divertia com o esforço inútil que fazias, ora em tirar as mechas revoltas do rosto, ora em segurar a saia ampla, de tecido sedoso e flores miúdas, junto ao copo frágil e delicado, com a intenção de protegê-lo dos olhares curiosos.


Minhas mãos de inocência, buscando te ajudar, procuravam desviar a direção do vento para que não desmanchasse os cachos dourados que escorregavam pelos teus ombros e reluziam, preguiçosamente, sob os raios mortiços do sol, naquelas manhãs outonais.


O teu jeito altivo e seguro que tanto admirava, me dava certeza da tua proteção e de como estavas atenta a tudo que acontecia à nossa volta. 


Achava maravilhoso aquele teu meio sorriso sem abrir os lábios, que ressaltava as covinhas que se formavam ao lado da tua boca, que eu apertava, às gargalhadas, só para sentir teus beijos nas minhas bochechas afogueadas...


Tudo em ti era bonito e assentido por mim. Só os teus longos silêncios eu não aprovava, porque o som da tua voz me era tão bonito e melodioso quanto o doce sonido das águas que rolavam sobre as pedras da pequena cascata do parque, que eu não cansava de ouvir... 


Quando reclamava tua atenção, me abraçavas pedindo que eu  fosse brincar, dizendo querer aproveitar aqueles instantes, a sós, para conversar com a tua alma. Um muxoxo e uma sacudidela de ombros eram meus sinais de descontentamento, porque o trinado dos pássaros, os galhos pesados das velhas árvores balançando suas copas, umas de encontro às outras, sim, esses sons eu distinguia, no entanto, tua alma envolta em mistérios, não conseguia ouvir.

Entre magoada e distraída, seguia o movimento do teu dedo indicador sobre os teus lábios, numa delicada exigência de silêncio. Teus olhos pediam, uma vez mais, que eu não risse alto, não fizesse tantas perguntas ou pisasse com tanta força nas folhas mortas, batendo os pés, como gostava de fazer, para ouvi-las chiar. 


Sem me dar conta, prendia a respiração enquanto policiava os teus olhos que se soltavam dos meus e se voltavam em direção ao céu e ali permaneciam, perscrutando a imensidão. Insistia, querendo saber sobre tua alma, mas sem nenhum resquício de impaciência, apontavas para meu peito e dizias que ali morava minha alma, porém, para ouvi-la, teria que conversar com as estrelas... Cada vez eu entendia menos, porque não via estrelas no céu durante o dia. Explicavas que elas estavam lá, mesmo que não as víssemos. 


Depois de tantas e complicadas perguntas e das tuas respostas sem nexo, para o meu néscio entendimento, distraía-me correndo, ora atrás das numerosas borboletas pousadas na grama, ora tentando agarrar as folhas que se desprendiam dos galhos e voavam levadas pelo vento. Algumas vezes interrompia minhas brincadeiras e as tuas silenciosas conversas, para que prendesses uma flor nos meus cabelos cinza, encaracolados, tão sem graça e tão diferentes dos teus!


Vigiava-te de longe: tinha medo que o vento te levasse, tinha medo que o som da tua alma te encantasse e que partisses em busca de alguma coisa que eu não sabia o quê, mas que vivias a procurar... Às vezes, tinha a impressão de te ouvir falando sozinha; outras, lágrimas pareciam toldar teus belos olhos cor de mel. Nesses momentos, corria para os teus braços achando que uma fada pudesse te encantar e te levar de mim. Com esses pensamentos, pendurava-me em teu pescoço e te apertava de encontro ao meu coração, para que não fugisses. Então, num gesto de carinho, encolhia meu pescoço para reter tua cabeça junto à minha. Como era gostoso, naqueles instantes, sentir teus braços protetores ao redor da minha cinturinha de criança! 


As horas não eram intermináveis porque não as contávamos. Simplesmente aconteciam. Foram tantas manhãs, tantos abraços, tantos sorrisos... e tantas crianças que chegaram naquela casa! E tantos anos que se passaram...
...


Teus cachos dourados deram lugar ao prateado dos cabelos curtos; teu corpo esguio e perfeito, curvou-se levemente; teu andar desacelerou-se e o teu meio sorriso perdeu-se em divagações, sem, no entanto, deixar de lado a ternura de sempre.

Ainda te vejo conversando baixinho... Talvez, agora, com as três “crianças” - das seis que povoaram tua vida – e que, apressadas, partiram, deixando-te atônita, com a dor estampada no olhar, cujo brilho o tempo não apagou e que, muitas vezes, imerge nas lágrimas abundantes que não consegues controlar.


Agora, já não corro atrás das borboletas, nem tento impedir que o vento faça esvoaçar os teus cabelos, tampouco tenho medo que uma fada madrinha te roube. Entretanto, com firmeza, entrelaço minhas mãos nas tuas, amorosamente, para reter-te, porque tenho medo, isto sim, de me perder de ti, antes que nosso tempo termine.


Hoje posso ouvir o teu silêncio e conversar com as estrelas, em pleno dia... Agora, mãezinha querida, consigo escutar as inefáveis melodias da tua alma que se desprendem do teu peito e se elevam aos céus, em feitio de oração.


Atualmente, todas as noites, ao fechar a porta do meu quarto que dá para um terraço,
olhando o céu, vejo uma estrela de brilho intenso e não resisto em dar-lhe boa noite 
e desejar-lhe  bons sonhos, porque agora, desde 21-02-2016,
 mãezinha é, também, uma estrela.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

XXXVI O Guardador de Rebanhos Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)





O guardador de rebanhos
XXXVI

Alberto Caeiro
(Fernando Pessoa)



E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas! ...


Que triste não saber florir!

Ter que pôr verso sobre verso, 
como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está! ...



Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa,
 mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem sei eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao solo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.


Extraido do "Eu profundo e os outros Eus"

CORPO ATEU - Elen de Moraes




Corpo ateu

Elen de Moraes Kochman




Volta amor!
Vida sem ti é deserto,
terra árida... sertão.
É seca, é fome, é morte,
é futuro tão incerto...
andorinha sem verão,
barco à deriva, sem norte.



Volta amor!
Bem sabes que ainda sou tua.
Meu abraço anda sem dono
e meu coração sem prumo...
Minha dor vive tão nua!
Despiu-se com o abandono
e pôs-se a vaguear sem rumo.



Volta amor!
Minha boca quer beber
nesse teu beijo molhado,
o doce mel - que é só meu! -
Quero cravar meu prazer,
o meu desejo rasgado,
no teu belo corpo ateu....




domingo, 2 de janeiro de 2011

A insustentável leveza da vida - Elen de Moraes







A insustentável leveza da vida


Elen de Moraes Kochman


Aflita, tua alma soluça... solitária,
Dilacerada em seu profundo desencanto,
Pela noite que te desce, desnecessária,
E te envolve com o negrume do seu manto.


Nos ruídos entrecortados e gementes,
O sofrimento intenso que teu Ser transpassa,
Sublima-se nas tuas forças transcendentes,
Na augusta e comovente fé que te encouraça.


Rosto pálido, encovado, num quê de espanto...
Espasmofilia. Máscara de tristeza.
Conquanto em tua face etérea um silente pranto,
Na alma, do Deus Onipotente, a certeza!


Ausência da palavra em tua voz combalida.
No corpo, a insustentável leveza da vida.





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

VOZ: Elen de Moraes Kochman - Elegia do adeus

Outras postagens

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Rio de Janeiro - Br

Rio de Janeiro - Br
Aterro do Flamengo - ressaca

Amanhecer no Rio de Janeiro

Amanhecer no Rio de Janeiro

Amanhecer no Rio de Janeiro

Amanhecer no Rio de Janeiro

Nevoeiro sobre a Tijuca

Nevoeiro sobre a Tijuca
Rio de Janeiro

Tempestade sobre a Tijuca

Tempestade sobre a Tijuca
R< - Br

Eu me perco em teu olhar...

Eu me perco em teu olhar...