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domingo, 2 de maio de 2010

BRASILEIRA COM MUITO ORGULHO - Elen de Moraes Kochman

Brasileira, com muito orgulho.             
 

Se há uma coisa que me entristece e me aborrece deveras é ouvir alguém se referir ao povo brasileiro, de um modo geral, quando vêem uma coisa errada ou mal feita, dizendo: “isso é coisa de brasileiro” ou “é o famoso jeitinho brasileiro”. Até alguns amigos, dentro e fora da internet, talvez por brincadeira ou porque se esquecem da minha nacionalidade ou mesmo por conhecerem brasileiros que deixam a desejar, não sei, usam essa expressão uma vez ou outra.  Mortifico-me e fico penalizada, também, pelo emigrante (de qualquer país) que já sofreu ou ainda sofre esse tipo de prejulgamento. Deve ser muito triste conviver com a saudade da Pátria, dos familiares, dos amigos, mas ter que enfrentar uma opinião formada, sem se levar em conta algo que a conteste, é bem pior. E lamento pelo emigrante português que veio para o Brasil e ainda hoje sofre com esse tipo de preconceito.

Há tempos venho pensando no assunto, todavia não queria abordá-lo, até porque gosto de ser delicada e compreensiva com as pessoas, entretanto tomei a decisão de falar a respeito por causa de um artigo que li, escrito por um brasileiro que reside em N.York pelo que entendi, lamentando-se de ter que voltar para o Brasil, só enumerando as coisas ruins existentes por aqui e referindo-se ao país como um lugar de “gente pequena e insuportavelmente incompetente”. Esse Senhor nos faria um grande favor se continuasse residindo fora da nossa terra.

Não vou negar que aqui há pessoas assim, mas não é maioria. Há corruptos e corruptores, políticos desonestos, traficantes, assassinos, ladrões, pedófilos, etc., como há em qualquer parte do mundo. Temos leis severas (algumas precisam ser revistas), pessoas querendo acertar, como temos também o outro lado podre, como qualquer país tem.  Dirão alguns que somos um paraíso onde se escondem alguns bandidos internacionais. Sim, é verdade! Negar por quê? Só que quando identificados, são devidamente presos e deportados. Assaltos aos turistas? Temos! Uma vez ou outra, como em toda cidade grande do mundo, para os que se aventuram pela cidade sozinhos, por lugares onde normalmente a população informada não vai. Porém, somos, também, uma nação que se orgulha de receber os estrangeiros com dignidade, respeito e boa vontade.

Acusam-nos de sermos pacatos e alegres, dizem que não somos sérios e muitas outras coisas mais. Eu não entendo a mentalidade de tais acusadores. Será que são intolerantes conosco, por não gostarmos de guerra? Por sermos pacíficos?  Ora, temos caracteres hereditários dos grandes descobridores e conquistadores portugueses, talvez daí nossa resistência e facilidade de adaptação, mas fomos colonizados! Somos descendentes de índios escravizados, de negros trazidos à força para o trabalho pesado e de grande parte de portugueses que havia cometido algum delito em Portugal. Depois vieram os italianos, japoneses, alemães, holandeses... Nenhuma grande fortuna foi trazida para cá, a título de investimento, pelo contrário, levaram parte da nossa riqueza, mas não discuto isso porque a terra pertencia a Portugal e ele a usava do modo que melhor lhe conviesse. Desgraça são os ladrões de hoje que depositam nossa fortuna, roubada dos cofres públicos, nos paraísos fiscais.

A intolerância chega a tal ponto que já ouvi de brasileiros e de pessoas de outras nacionalidades, que fazem de tudo para perder o sotaque da nossa língua porque querem esquecer que um dia viveram aqui.

Bem, toda essa mistura de raças fez de nós o povo maravilhoso que somos e habitante de uma nação em desenvolvimento, pobre, sim, porque jovem e muitas vezes mal administrada, mas que um dia se transformará numa grande potência, num futuro bem próximo.Quem viver, verá!

A parte mais difícil e delicada é falar sobre as mulheres brasileiras, tidas como belíssimas (nem sempre), de corpo perfeito (algumas), meigas e femininas (nem todas). A mãe de um meu cunhado português, que mora em Lisboa, conta-nos que em sua cidade muitas lojas preferem admitir vendedoras brasileiras, porque dizem que são moças mais gentis no trato com os clientes, têm mais paciência com os mesmos e, conseqüentemente, vendem mais e que muitos portugueses inclusive ela, dão preferência a essas lojas.
Entretanto, se esse predicado, muitas vezes, é um bem, por outro lado é um mal, pela incompreensão e maldade de alguns homens e mulheres, quando se referem às brasileiras, pejorativamente: - “ah, são todas umas vadias”! “Todas”? Que exagero e falta de informação! Se a prostituição é a mais antiga das profissões, não temos o desprazer do pioneirismo, da sua descoberta. Ademais o tipo da mulher em questão, há em toda sociedade, entre todos os povos, nas famílias ricas e pobres, negras e brancas, não é privilégio e nem estigma só do Brasil.

Finalizando, faço minhas as palavras de Olavo Bilac, no seu soneto à Pátria:"Ama com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! Não verás nenhum país como este!”  e quero também enfatizar que - como o nosso ilustre poeta Gonçalves Dias - trago nas veias o sangue português dos meus antepassados, misturado ao dos negros e dos índios, por isso posso afirmar que sou brasileira, sim, com muito orgulho, com muita honra e com muito amor!.


 
 Amigos,
mais uma crônica nossa publicada no jornal
 "Tribuna Portuguesa". 
Acessem o link abaixo para sua leitura.

http://www.tribunaportuguesa.com 
 


 
   

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