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sábado, 2 de julho de 2011

UM BRINDE A PORTUGAL PELO SEU DIA - Elen de Moraes Kochman





Um brinde a Portugal                            
                                         Pelo seu dia!
 
Elen de Moraes Kochman

Neste mês de junho quando se festeja o dia de Portugal, oportuno se faz relembrar os importantes feitos da sua história, seus audazes navegadores, o destemor do seu laborioso povo ao embrenhar-se por terras recém- descobertas, desbravando-as, sua intrepidez ao demarcá-las, confrontar nativos, expulsar invasores, fundar povoados, fixar o homem no campo e lhe ensinar o cultivo do solo com mudas de plantas trazidas de outros continentes, como a cana-de-açúcar, que durante séculos foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando homens e nações e que ainda hoje contribui, grandemente, para gerar riquezas em nossa terra.

Quando Martim Afonso de Souza trouxe consigo, do sul da Ásia, suas primeiras mudas, talvez jamais tenha imaginado que estaria permitindo ao Brasil, séculos depois, tornar-se um dos principais exportadores de açúcar, ser o maior produtor do biocombustível tirado da cana, o etanol, e ocupar posição de liderança na tecnologia da sua produção, conquistando sua auto-suficiência com esse combustível alternativo, não poluente, que supre hoje metade da nossa frota de  carros leves.

Consta que o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, que se tem notícia, o famoso Engenho São Jorge dos Erasmos, cujas ruínas podem ser visitadas ainda hoje, foi instalado pelos Açorianos, em 1532, no litoral paulista, na Capitania de São Vicente. Segundo alguns historiadores, nessa época, a cana já era plantada em Pernambuco e na Bahia.

Com o açúcar, nasceu, por acaso, a cachaça e sua história se confunde com a descoberta do Brasil. O método consistia em se moer a cana, ferver o caldo e em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas. Quando o caldo desandava e fermentava, era jogado fora, dando origem a um produto que se chamava “cagaça”, que servia para alimentar os porcos e que os escravos tomavam e trabalhavam com mais vontade. Não há consenso quanto ao seu nome. Alguns pesquisadores têm outras teses. Através dos tempos, ganhou apelidos: caninha, pinga, abrideira, engasga-gato, água que passarinho não bebe, branquinha, “marvada” e outros.

Na época do Brasil colônia, a bebida foi usada como moeda de troca na África, na compra dos escravos. O sucesso da Cachaça era tanto e tão grande a sua preferência, que o destilado português, a Bagaceira, foi perdendo terreno, dando enormes prejuízos à Coroa e, por isso, os impostos foram sobretaxados sobre a venda da nossa aguardente, o que não resolveu o problema, porque ela passou a ser contrabandeada. Portugal, então,  decidiu proibir a sua produção e se alguém fosse pego descumprindo as leis, seria extraditado para a África. Muitos alambiques foram destruídos e navios queimados.

Nos fins de 1660, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, visando o lucro gerado pela bebida, ignorou a proibição e liberou seu consumo e fabricação, mas, para a população usufruir da bebida, teria que pagar impostos abusivos. A cobrança fez a população se revoltar e quando o governador foi a São Paulo, deixando seu tio no poder, os donos de engenhos e moradores da região de São Gonçalo e Niterói, com o apoio dos soldados, ocuparam a sede do governo e ali se mantiveram por cinco meses, com Agostinho Barbalho eleito pelo povo. No poder, logo jurou fidelidade a Portugal. Mais tarde foi substituído, por incompetência, pelo irmão Jerônimo Barbalho.

Salvador de Sá que havia pedido reforços da Bahia, retomou o poder, montou uma corte marcial, mandou prender os revoltosos e decapitou Barbalho. O Conselho de Portugal, que cuidava das colônias, não tinha ficado satisfeito com a revolta da cachaça, mas, igualmente não gostou da violência cometida contra  Barbalho. Salvador de Sá foi afastado, teve que responder a processo. Voltou para Portugal e nunca mais pode vir ao Brasil. Ainda em 1661, a rainha de Portugal, a regente Luísa de Gusmão, permitiu a fabricação da aguardente no Brasil.

Nos últimos anos o grande diferencial da cachaça artesanal tem sido o processo de envelhecimento que utiliza, além dos barris de carvalho, cada vez mais, as madeiras brasileiras. O nome “Cachaça” passou a ser oficial a partir de 2002 e só pode estar nos rótulos das cachaças artesanais. As industrializadas recebem rótulo de “Aguardente de cana”.

Com a nossa bebida mais famosa e seu toque especial que empresta incomparável paladar à nossa caipirinha, que só não é mais ardente do que o prazer que proporciona aos seus apreciadores, um brinde a Portugal, pelo seu dia!  
 
Http://tribunaportuguesa.com

Edição de 1º/06/2011
 Pesquisa: Museu da cachaça:


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