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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Fantasia e realidade - Abstrações da mente (Elen de Moraes)




Publicado no jornal TRIBUNA PORTUGUESA - Califórnia

Para leitura online,edição de 01/09/2011

http://www.tribunaportuguesa.com/



Fantasia e realidade                        
                      (Abstrações da mente)

Elen de Moraes Kochman


As pessoas que gostam de conversar, de ter com quem dialogar, trocar impressões e com elas interagir, não conseguem viver isoladas por longo período. Sentem necessidade de colocar, verbalmente, suas reflexões, contar sobre o seu dia a dia, fazer suas piadas e muito mais. São extrovertidas e, geralmente, de bem com a vida. Para elas é motivo de pesar não encontrar alguém que tenha o mesmo pendor, quem não lhes dê atenção.


Não me refiro àquelas que falam além da conta, sem dar aos interlocutores a oportunidade de se manifestarem. Tais pessoas se tornam tão inconvenientes que ao chegar numa roda de amigos, antes mesmo que abra a boca, a maioria vai saindo de fininho e quem fica, ouve para não ser desagradável, sem atentar, no entanto, para o que dizem.


Aqui abro um parêntesis para mencionar os que só falam sobre dores, doenças e sofrimentos. São tão repetitivos que alguns amigos e familiares fogem, para não ouvir as “ladainhas” de sempre, como dizem. Entretanto, é bom lembrar que devemos “chorar com os que choram e alegrar com os que se alegram”. Hoje, eles; amanhã, quem sabe, um de nós, a necessitar de carinho e de um ombro amigo.


Do mesmo modo, quem gosta de solidão, de estar a sós com seus pensamentos, sem muito interatuar com seus colegas de trabalho, amigos ou vizinhos, quando chega a algum lugar onde todos falam ao mesmo tempo, ou quando o desejo de estar calado é interrompido por alguém deveras expressivo, que requer atenção por mais tempo do que tem disponível, sente-se molestado a tal ponto que não encontra melhor solução do que a de se despedir mais cedo.


Também aqui não me refiro aos que se acham superiores, aos arrogantes que preferem não dialogar com pessoas que prejulgam de nível intelectual inferior. Não! Refiro-me às pessoas que preferem a própria companhia e as que adoram os longos, amigáveis e descontraídos bate-papos. Mas, convenhamos que ir aonde falam e riem tão alto que para sermos ouvidos necessitamos falar mais alto ainda, é insuportável. O mesmo se dá quando o silêncio impera numa reunião: é tão ou mais desagradável quanto.


E há os que amam e têm o dom de escrever. Ah, esses sonhadores também têm grande prazer em conversar, porém, paradoxalmente, silenciar e observar, igualmente, faz parte. Enquanto observam, enriquecem seu fantástico mundo interior e armazenam subsídios para seus escritos. Acredito que os melhores ouvintes, ou os mais pacientes, são os escritores.


Escrever vicia? Não sei! Entretanto, quem escreve tem uma vastidão de fantasias e realidades entrelaçadas, a envolver seus pensamentos, que volta e meia se abstraem e mergulham fundo nesses alheamentos da mente. Quem gosta, sente necessidade de escrever todos os dias e desse prazer não abre mão, nem que seja para apagar ou jogar num fundo de gaveta. Difícil de entender, para quem não curte ou, absolutamente, não lê.


E aqui volto ao início do que falei acima, em relação entre os que gostam de conversar ou escrever: ambos necessitam de interlocutores e o do escritor é o leitor. De que adianta publicar um bom livro, com um tema de grande interesse ou um jornal excelente, se não houver leitores? Eles existem em menor número se comparados aos que gastam horas intermináveis em frente à televisão.


No nosso país ainda se lê pouco, mas já se lê bem mais, porém, como disse Elmer Corrêa Barbosa, “a maioria dos leitores que frequenta as livrarias em nossos dias, ao buscar livros para comprar, deseja o óbvio ou a fantasia inconsequente. Com isso, os livros mais vendidos são os que contam histórias “edificantes”, narrativas povoadas de magos e sábios...”


Ler é recomendado para quem deseja envelhecer com qualidade, pois ao estimular o cérebro, a memória se recompõe. Quem lê compreende melhor o que ouve, fala e escreve melhor, porque enriquece seu vocabulário. A leitura abre horizontes e capacita o desenvolvimento de um povo. E de novo meu aplauso para D. João VI, que contribuiu grandemente para a nossa cultura quando, ao se instalar com a família Real no Brasil, fundou em 1810 a Biblioteca Real, com 60 mil livros trazidos de Portugal.  



Um comentário:

Malu disse...

Uma bela postagem amiga! Tem toda razão - quem escreve tem um mundo vasto de sonhos, fantasias e pensamentos que criam VIDA dentro de nós, mas esta interlocução se faz necessária, mesmo.
Abraços

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