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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Nhenhenhen... (dia dos namorados) - Elen de Moraes Kochman



 Nhenhenhen
 
- dia dos namorados -

Elen de Moraes Kochman

Namorados: hoje é o dia!
De novo aqui... e sozinha!
Lateja, em mim, agonia
do enredo que se avizinha.

Será que em benditos braços,
o meu guerreiro descansa
do seu corpo, os bagaços...
o seu arco e a sua lança?

Em que pele acetinada
sua ágil língua passeia?
Em que boca alucinada
a sua, agora, tateia?

A quem será que oferece,
do seu porto, a segurança?

Será que alguém se enternece
com seu jeitão de criança?

O meu corpo, em fogo brando,
apaga aos poucos, sem dono...
Não sei quanto e até quando
suportarei o abandono.

E nem sei se quero mais
que chegue a qualquer momento!
Que venha ou não... tanto faz!
só quero o fim do tormento.

De tanto sonhar esqueço
que me espera um outro alguém...
Desta vez... ou enlouqueço,
ou dou fim ao nhenhenhem! 



Nem tudo que um poeta escreve se refere 
às suas dores, aos seus amores,  
enfim, à sua vida particular.



    AUTOPSICOGRAFIA


    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.



    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.



    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    Fernando Pessoa

Um comentário:

Yara disse...

Que beleza Ellen! Até arrepia a gente tanta inspiração.

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