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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Elen de Moraes Kochman - NUVENS NEGRAS









NUVENS NEGRAS

Elen de Moraes

O dia amanhece nublado...
O céu se atordoa com nuvens negras,
Ameaçadoras,
Que passeiam de um lado para o outro
Atropelando a melancolia
Que desce sobre meu olhar.
Nuvens apressadas que buscam respostas...
Talvez as mesmas que procuro.

Bate um vento gelado!
Traz consigo uma chuva fina
Que arrepia minha alma,
Que lava meus pensamentos.
Aconchego nos meus braços
E aperto contra meu peito
As lembranças do meu amor,
Tão longe de mim!
Tão longe do leito que agasalhou
Nossos ardentes serões,
Nossas sensuais emoções;
Tão longe dos lençóis
Que acariciaram
A intimidade da nossa paixão.

Olho o infinito embaçado
Por essa cor cinza,
Multifacetada de nuances mórbidas,
Só comparada às cores mortas
Que tingiram minha vida
Depois da despedida.

Ó nuvens negras,
Levem em suas asas
Minha descolorida paixão
Tão gasta de desejos;
Levem do meu corpo esse frêmito,
Essa ânsia de querer;
Levem de mim a dor da ausência
E tragam - nas suas lágrimas
Que encharcam essa terra,
Onde deslizam
Os pés do meu tormento,
Da minha angústia -
O silêncio das minhas palavras.

Ó nuvens negras,
Abafem com o surdo ribombar
Dos seus abraços,
Nesses encontros de prazer,
O grito de amor
Que explode da minha alma,
Mas que morre
Com a felicidade que esmaece
No tempo...
E na distância...

Em memória...

2 comentários:

costa vieira ncosta disse...

Belíssimo!Não me canso de lê-lo.Beijos

MARILENE disse...

Muito belo o poema. Nosso céu se cobre de nuvens negras quando somos envolvidos pela dor da ausência.

(Quando fui me colocar entre seus seguidores vi que já estava lá). Bjs.

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