Elen de Moraes Kochman
“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se
deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser
humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo
começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante,
vai ser diferente". Carlos Drumond de Andrade, poeta e escritor brasileiro,
foi muito feliz com esta citação.
Pensando
sobre o assunto, um final é sempre triste, porque nos fecha uma porta de algum
modo, e seja lá o que for que tenha ficado para trás – um amor, um emprego, um
casamento, um amigo – nos traz desconforto,
porque sabemos que o que passou, passou, é passado. E mesmo que no futuro haja reencontros, reconciliação, “naquele”
momento só nos damos conta - e nos deprime - a sensação de perda. O único final que nos enche de contentamento é o de um ano, salvo raras exceções. Não sabemos aonde as pessoas buscam
energia para participar de tantas festas! Dão presentes, recebem convidados, gastam o que não podem, e sentem, por vários motivos, alegria por
despachar, nos últimos minutos, todas as suas angústias e tudo o mais que não
deu certo em doze meses, para então festejar a chegada de um novo tempo.
E
tem razão o poeta Drumond: vemos morrer um velho ano, que leva consigo nossas frustrações e perdas e vemos nascer uma nova época. Com ela, a esperança de fazer acontecer
uma nova vida. Então fazemos planos, traçamos metas, prometemo-nos tantas
coisas e, otimistas, sonhamos. E há coisa melhor para um corpo cansado, um
coração magoado e uma alma esperançosa, do que sonhar?
Sonhar, eis a questão! Não correr atrás dos sonhos, eis a razão para
entrar ano e sair, sem que os mesmos se realizem. Esse nosso desejo de chegada
e saída dos anos, vezes sucessivas, sempre mais rápido, é o nosso grande
paradoxo. Se os anos se esticam, é sinal de que vivemos mais e, na nossa
ansiedade de realizações, queremos que passem mais céleres ainda. E torcemos
para que a engrenagem do tempo agilize seus passos. No entanto, assim, envelhecemos!
Depois, desejamos ardentemente que ela, por milagre, perca a força e pare.
Quantas vezes dizemos que daríamos tudo para o tempo voltar e trazer a
felicidade perdida.
Ouvimos
pessoas se referirem, com tristeza, à vida que não viveram, ao amor que não
assumiram, a um filho que não acompanharam o crescimento ou lamentarem um ente
querido que partiu e que esqueceram depressa demais. Houve uma época em que
vivi nesse torvelinho de festas, luzes, comidas, champanhe,
alegria, família, amigos, etc., na ultima noite do ano. Entretanto, o dia seguinte
amanhecia envolto numa capa de melancolia
e cansaço. Era desprazer com o que sobrara, mal estar espiritual, fome de ser e estar diferente. E resolvi mudar
os meus finais de ano. Ultimamente, por opção, eu os passo sozinha em meu
apartamento, olhando os fogos ao longe, ouvindo os sons dessa noite maravilhosa
e o cântico da cidade. Fico só, mas não me sinto só. Faço meu balanço, assumo minhas
perdas e não reclamo dos meus lucros, mesmo se pequenos. E mais: não
reparto as horas, não mais divido minhas emoções no antes e no depois. Hoje, simplesmente, vivo inteira e intensamente e sempre
...acordo
o tempo
antes
de a noite escoar,
para
que tenha mais tempo
de
outros sonhos sonhar.
Caminho
no beiral do dia,
onde
a vida se refaz
em
gomos de fantasia...
Sou
otimista e os meus desejos são, ainda, como os da minha juventude, porque, afinal,
o ano é novo e a engrenagem do tempo se liberta do peso do passado, acelera
seus passos e nos permite uma nova chance, um recomeço, seja em que idade for.
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"Somethings in the rain" - playlist da série
domingo, 29 de dezembro de 2013
Ano Novo: RECOMEÇAR, EM QUALQUER IDADE - Elen de Moraes Kochman - Publicado no jornal "Tribuna Portuguesa" da CA
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Natal: REPENSANDO O NATAL - Elen de Moraes Kochman
Repensando o Natal
Elen de Moraes K
Na vida passamos por momentos que deveríamos aceitar sem lamúrias e o bom humor seria uma ótima alternativa. Perdoar nossos próprios erros, rir dos nossos medos e mostrar receptividade a novos conhecimentos faz grande diferença para o nosso bem estar, sobretudo se não nos revelarmos sabedores de todas as respostas, porque não somos. No entanto, em algumas ocasiões, nos comportamos tão automática e injustamente, julgando já ter aprendido tudo com a nossa vivência que, muitas vezes, não temos pachorra para ouvir nossos interlocutores até ao final, para só então oferecer a nossa opinião. E tendemos, ainda, a dar menos crédito aos jovens! Não será por isso que só bem poucos concedem a merecida atenção aos mais velhos, que se julgam os donos da verdade? Aliás, impacientes, fogem deles!
O comentário vem a propósito do natal que se aproxima. Nesta época os assuntos são quase que os mesmos e giram em torno dos preparativos, dos presentes, do Papai Noel, das comidas, das reclamações de sempre e até quem escreve sobre o tema acaba, algumas vezes, por se repetir, como eu. Pouca – ou nenhuma - referência se faz ao nascimento de Jesus, quando Ele deveria ser o centro da festividade. Entretanto, se infelizmente não é, não vejo necessidade de queixas veladas e contendas entre os que têm o natal como uma comemoração religiosa e os que dela participam como se fora uma festa como qualquer outra. Nesses momentos, deveria prevalecer a sabedoria cristã de quem já viveu o suficiente para saber harmonizar e apaziguar familiares e amigos (“amai-vos uns aos outros”), e não se servir dos desentendimentos para jogar mais lenha na fogueira.
E temos os que se irritam com o natal porque acham que Jesus é o culpado pela fome, pela crise mundial, pelo desemprego, pelas crianças pobres e abandonadas que não terão brinquedos, nem comidas especiais e, consequentemente, não terão uma noite feliz. Essas pessoas precisam entender que Jesus nasceu para todos, sim, mas que Ele foi o ato do amor de Deus para com o mundo (“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João-3.16), e que o Seu Filho, Jesus, deu a Sua vida terrena em sacrifício, para que tenhamos a vida eterna (os que Nele acreditam). As demais coisas terrenas dependem de nós, dos “homens de boa vontade”, dos cristãos de maior vontade ainda e do amor de cada um para com o seu semelhante. Quem sabe não podemos fazer acontecer, no natal de uma família carente, um verdadeiro milagre?
Encontramos, também, os que à mesa, durante a ceia, ou em algum outro momento da festa, criam grandes discussões em torno da data do nascimento de Jesus e muitos se desentendem.
Como a Bíblia não menciona nenhum dia específico para o Seu nascimento, só traz a narrativa (“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador que é Cristo o Senhor. E isto vos será por sinal: acharás o menino envolto em panos, deitado numa manjedoura.” -Lucas 2-10.12-), a data foi escolhida pelos cristãos romanos que aproveitaram uma importante festa pagã que acontecia entre os dias 22 e 25 de dezembro chamada “Natalis Solis Invicti", nascimento do deus sol, homenagem ao deus persa Mitra, popular em Roma. Em 335 a igreja oficializou a celebração do natal no dia 25 de dezembro. Estudiosos da Bíblia acham impossível que Cristo tenha nascido no inverno e dizem que o mais provável seria entre março e novembro, época em que a temperatura permitiria Jesus embrulhado em panos, numa manjedoura.
Seja em que época for que se comemore o nascimento de Jesus, o importante é que O permitamos nascer em nossos corações e em nossas atitudes, todos os dias.
Feliz natal para os meus caríssimos amigos e leitores e amada família! Ótimas festas. Também para a equipe incansável do Tribuna Portuguesa, seus leitores, anunciantes e colaboradores. Daqui do Brasil mando-vos o meu abraço.
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
"AGENDA VERMELHA" (porque é natal) - Elen de Moraes Kochman
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O batom escarlate da assistente social, em contraste com sua pele clara, não permitia que Lucas se concentrasse no que ela lhe dizia. Baixou os olhos para não ser indiscreto, mas deu de cara com fartos seios, apertados num generoso decote, dando a impressão que iriam se desinflar à medida que ela respirava, ou saltar do minúsculo esconderijo. Embaraçado, fixou o olhar nos enfeites natalinos da ampla sala e na Senhora franzina, de óculos antiquados, que combinava, estranhamente, com os tecidos envelhecidos das poltronas e com as estantes escuras. Sentiu-se nostálgico com o quadro que acabara de visualizar, onde o tempo deixara marcas, sem tirar a suntuosidade. Talvez a moça com seu batom flamejante e seios à mostra só quisesse imprimir cor e vida ao ambiente.
Voltou-se quando, delicadamente, ela tocou seu braço e lhe entregou as chaves do apartamento que sua mãe ocupava e um presente embrulhado em papel com motivo natalino, amarrado com laços verde e dourado e um cartão que dizia “Para meu filho, com amor. Raquel”.
*****
Mãe e filho não se encontravam havia mais de um ano, desde que ele assumira, como engenheiro responsável, a obra de uma autoestrada no interior do país. A responsabilidade, a dificuldade de locomoção e a falta de coragem para enfrentar longas horas num transporte hidroviário, para só depois pegar um voo, foram os motivos da prolongada ausência. Antes da transferência, os dois chegaram a um consenso de que seria melhor que ela fosse viver num hotel para a terceira idade, com atendimento médico, do que ficar sozinha no casarão onde moravam, sem ter quem a assistisse, caso precisasse. Decidiram-se por aquele simpático hotelzinho nas montanhas.
*****
Lucas entrou, fechou a porta, abriu a janela e uma lufada de melancolia invadiu, com a brisa da tarde, o quarto bem decorado onde vivia sua mãe. Seu olhar perdeu-se nas colinas que cercavam aquela cidadezinha. Passou as mãos pelos cabelos, gesto repetido sempre que se sentia desconfortável. Abriu o presente e viu que se tratava de uma agenda vermelha, com anotações e fotografias. Balançou a cabeça sorrindo por sua mãe conseguir, ainda, surpreendê-lo.
Chamou-a pelo celular, mas estava fora de área. Deixou recado. Lucas sentiu uma ponta de remorso por tê-la deixado ali tantos meses, sem visitá-la. Jogou-se na cama com a agenda nas mãos. Segurou-a por instantes sobre o peito, como se tivesse receio de lê-la.
As primeiras anotações versavam sobre questionamentos de como suportar ausências e sobreviver à solidão e à saudade. Durante dois meses elas se referiam às caminhadas, hidroginástica e conversas com amigos virtuais. Algumas com letras grandes: “Só hoje meu filho telefonou. Coitado, perdendo a vida como perdeu o casamento”.
Notas grifadas: “Vitório, novo hóspede, é alegre e jovial”, “Aceitei acompanhá-lo aos bailes que o hotel promove”, “Jantamos fora”, “Fomos ao cinema”, ”Fomos ao teatro”.
Numa foto Raquel e Vitório estão de mãos dadas, entre outras pessoas.
Anotações de Natal: “Três meses aqui. Não me acostumo!”, “Véspera do primeiro Natal. Sozinha”,“Vitório viajou. Presenteou-me com um coração numa corrente”, “Meu filho, talvez, me faça uma surpresa”.
Uma nota com letras maiores, ocupando uma página inteira: “Decepcionada. Lucas não veio! Telefonou”.
Entre o Natal e o Ano Novo, nada anotado. Desenho de lágrimas nas páginas em branco.
Semana seguinte: “O Psicólogo aconselhou-me terapia de grupo”.
Um mês depois: “Vitório voltou sem a alegria de antes”.
Outras anotações falavam da participação dele na terapia. Fotos do amigo e outros hóspedes. E uma visita inesperada: “Carol e Maísa, neta e ex-nora, me visitaram. Carol, linda! Maísa, escultural como antes”. Junto, uma foto das três, sorridentes.
Lucas tentou nova ligação. O telefone continuava fora de área. Impacientou-se. Abriu a agenda e observou, demoradamente, a foto da família. Sua filha, muito séria para seus 18 anos, porém sua ex-mulher conservava o sorriso que o encantara quando se conheceram. Sentiu o coração apertado, mas reconhecia que colocara a carreira como prioridade e ela teve razão ao pedir o divórcio. Casamento desfeito, relacionara-se com outras mulheres, porém sem compromissos. Quanto à filha, ia vê-la quando podia, cumpria suas obrigações financeiras como pai, porém deixou de visitá-la, definitivamente, quando a menina preferiu, pela segunda vez, viajar com a mãe e o suposto padrasto, do que passar as férias com ele e a avó. Jamais entendeu se a mágoa foi pela filha ou se pela ex-esposa tê-lo esquecido tão depressa.
Continuou folheando a agenda, olhando as fotografias e se deteve numa, onde Raquel, Maísa, Carol e Vitório estão numa festa. A anotação diz: “Vitório me pediu em casamento. Aceitei. Ficamos noivos”, “Preciso conversar com meu filho”, “Carol e Maísa vieram para a comemoração”.
Lucas fechou a agenda, aborrecido. Como que então sua mãe aceitara casar-se com um desconhecido, sem discutirem o assunto! Agora nem pensar em voltar para a obra, sem encontrá-la. Ligou para o escritório avisando que precisava resolver problemas familiares e que remarcaria a passagem. Anoitecia quando desceu a serra. Como o casarão da família ficava a caminho do hotel onde se hospedara, decidiu passar por lá para ver como estava o imóvel.
***
Estacionou o carro. Viu as luzes acesas e a casa enfeitada. Abriu o portão, atravessou o jardim iluminado e pensou que talvez Raquel a tivesse alugado. Preferiu tocar a sineta da porta e aguardar. Alguém a abriu. Todos o olhavam, num misto de espanto e alegria. Entretanto, era como se esperassem aquele milagre.
Raquel se adiantou para recebê-lo e no seu abraço havia grande contentamento. Carol juntou-se a eles e nos seus olhos, além de lágrimas, lia-se o perdão. Depois, Vitório também o abraçou efusivamente, apresentou seus filhos, noras e netos e enfatizou que vieram para o Natal, mas que ficariam para o casamento, caso ele lhe concedesse a mão de sua mãe.
Só então Lucas virou-se e viu Maísa que aguardava sua vez para cumprimentá-lo. Ela lhe estendeu os braços entre hesitante e sorridente. A emoção do longo abraço foi a mesma que ele sentiu quando se apaixonou por aquele sorriso cativante.
*Qualquer semelhança com a vida de alguém é mera coincidência.
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sábado, 7 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
MÁGOAS ACORRENTADAS - (Tribuna Portuguesa - CA) - por Elen de Moraes Kochman -
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Mágoas acorrentadas
Elen de Moraes Kochman
Há pessoas que carregam
mágoas, vida afora, como se arrastassem pesadas correntes amarradas ao corpo,
um fardo tão penoso que pouco - ou nada - lhes restam, a não ser se chatearem por
ver os seus semelhantes alçarem voos, enquanto que elas mantêm seus pés atados ao
assoalho das amargas lembranças, pesadelos que as impedem de viver plenamente.
Quando jovens, inconsequentes,
não nos damos conta do mal que causamos aos outros, com nossas atitudes e
palavras, não analisamos os efeitos presentes e futuros dos nossos atos. Temos
urgência das coisas, desejamos viver e acontecer naquele instante e atropelamos
quem está em volta. Um erro? Sim! Imperdoável? Não! Quem não teve seus momentos
de fazer, para só depois pensar, quando ainda não tinham aprendido com seus
erros? No afã de viver apressadamente, pela rebeldia, ou por querer abrir caminhos
com premência, magoamos, sim, familiares, amigos, colegas de escola, de
trabalho, mesmo sem nos darmos conta, e seguimos em frente, despreocupados com
o que íamos deixando atrás, sem nos lembrarmos que colhemos o que plantamos.
Muitos, com o passar dos anos,
ao refletir sobre como têm vivido, fazem a sua "mea culpa", admitem o próprio
erro, arrependem-se e se desculpam, porque necessitam de perdão.
Outros não têm essa preocupação, por não se sentirem responsáveis ou porque o
passado passou, realmente, para eles e/ou se perderam das pessoas com as quais
conviveram, ou não acham que têm importância as suas atitudes de outrora.
Entretanto, só sente a dor quem apanha. Quem bate, esquece. E aqui reside o
engano de quem guarda raivas e queixas, porque bebem o veneno todas as vezes
que dele se lembram.
Talvez não esqueçamos o que -
ou quem - nos atingiu, porque não conseguimos nos perdoar por termos permitido
que nos ferissem ou dado importância maior do que a merecida a algo ou a alguém
insignificante ou, ao contrário, tão significante, naquele momento, a ponto de
nos desestruturar, de interferir nos nossos sentimentos e comportamentos, ainda
hoje, embora anos depois.
No entanto, convenhamos, há
gente sensível demais, que se magoa por tudo, que sente a alma doer quando ouve
uma palavra mais ríspida, quando ouve um não por resposta, quando tinha certeza
de um sim, e o choro é seu único alívio. Geralmente são pessoas que vêm de uma
sofrida infância de maus tratos. E há o reverso dessa moeda, gente que sofreu
tanto nessa época que agora, antes de ser atacada, ataca, não importando se o
que fala ou faz, machuca ou não, porque o que para ela importa é o seu
sofrimento, não o dos outros.
Compreendi a extensão do mal
que o ressentimento nos traz, só depois de muitos anos. Como muito bem disse
Benjamim Franklin, “A tragédia da vida é que ficamos velhos cedo demais. E
sábios, tarde demais”.
Atualmente, sei por
aprendizado e alguma terapia:
ü que
mágoas e rancores, além de ser atraso de vida, também matam;
ü que
lembrar o passado é inerente a quem tem boa memória, mas que essas recordações
não podem me impedir de seguir em frente, de fazer planos, de tocar a vida;
ü que
o amor é o dom mais importante de todos os dons, como disse o Apóstolo Paulo, e
que eu devo amar, sim, porém isso não significa que serei amada e aceita e que
eu devo admitir que há gente cujo coração ainda não passou pela “chama da
purificação” (porque amor é função da alma, não do corpo) e que por isso,
ainda, não sabe amar;
ü que
eu devo sempre perdoar, não porque os que me pedem perdão precisam ter paz, mas
para que eu a tenha, para que eu viva feliz e distribua alegria;
ü que
muitas pessoas vão me dizer não, e não significa que não queiram dizer sim, mas
há impedimentos, e talvez esteja nos planos de Deus (em quem tenho fé absoluta)
capacitar e testar outras pessoas; e muito mais.
Hoje entendo melhor o
ensinamento Cristão de “orar pelos inimigos”. Eles precisam tanto quanto os
amigos. Convidá-los para uma conversa amigável, esclarecedora, pode parecer
fraqueza e até servir de gracejo, porém, creia, aos olhos de quem te respeita –
e de Deus - serás visto como quem, com muita dignidade, “oferece a outra face”,
tentando o 1º passo para melhorar o mundo e acabar com as guerras.
Bom seria quebrar o cadeado
que acorrenta as mágoas e voar, enquanto é tempo e há vida para se viver com
abundância!
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sexta-feira, 8 de novembro de 2013
BORBOLETA FASCINANTE - Albert Araújo
Borboleta fascinante
Albert Araujo
Borboleta fascinante...
Rouxinol encantado...
Gosto de ouvir tua voz perfumada,
Que adentra minha alma quando cantas,
Tal qual o arrebol,
Quando desponta no horizonte
E faz sorrir as manhãs, as tardes afetuosas.
Tuas palavras ditas, condecoram
A cortina Cerúlea do meu humilde ser.
Quando declamas,
Invades minha alameda com um sorriso,
Redunda de emoção o meu coração
A destrançar-se,
Que nem chuva de pétalas
Em meu peito.
És pura... pérola rara...
És um diamante lapidado,
Na forma da mais fina flor!
Quero por ti derramar meu afago sereno,
De extremo a extremo.
Nas manhãs... colher todos os lírios brancos...
Brilhantes...
Para enfeitar o teu caminho,
Nas noites claras de luar.
Quero por ti...
Embalsamar o teu canto,
Para quando estivermos juntos, na eternidade,
Cantarmos os versos que escrevo,
Encantando as constelações... Os astros.
Estalando em espumas de ouro os casulos,
Dos quais surgirão borboletas coloridas
Que ornamentarão os campos
Silvestres da natureza.
Oh!... Borboleta que me fascina...
Os teus matizes dão suave colorido
Às minhas estradas de sonhos...
Oh!... Rouxinol que me encanta,
Estou enamorado pela melodia do teu trinar
Que trouxe à vida, o meu eterno silêncio...
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domingo, 3 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 19 de outubro de 2013
ALGUMAS BELÍSSIMAS POESIAS E CANÇÕES DE VINICIUS DE MORAES - Homenagem pelos seus 100 anos - Seleção de poesias - Biografia -
Saudade do Brasil em Portugal
O sal das minhas lágrimas de amor
Criou o mar que existe entre nós dois Para nos unir e separar Pudesse eu te dizer A dor que dói dentro de mim Que mói meu coração nesta paixão Que não tem fim Ausência tão cruel Saudade tão fatal Saudades do Brasil em Portugal
Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento Sou eu em solidão pensando em ti Chorando todo o tempo que perdi.
*Soneto da fidelidade
De tudo ao meu amor
serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vive-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu
canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte,angustia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive) :
Que não seja imortal,posto que é chama
Mas que seja
infinito enquanto dure.
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Soneto de Devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher e um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela.
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo.
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro
passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar
antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e
humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Poética
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
A rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
A Hora Íntima
Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal…
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto…
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo…
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua
guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada…
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
O poeta e a lua
Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua.
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua…
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
Eu Não Existo Sem Você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis
assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não
existe
Que todo grande amor só é bem grande se
for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de
sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham prá
você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se
cantar
Assim como uma nuvem só acontece se
chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é
viver
Não há você sem mim, eu não existo sem
você
Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse
olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me
provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto
incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode
esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se
casar.
A Felicidade
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor
Vinicius de Moraes
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus
gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos
sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Minha namorada
Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus
olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
Amor em paz
Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Chega de Saudade
Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade, a realidade é que sem
ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não
sai
Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua
boca
Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado
assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter
fim
Que é pra acabar com esse negócio de
viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você
viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver
sem mim
Saudade
E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a
canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se
amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos
pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos
bares
Onde anda você.
Vazio
A noite é como um olhar longo e claro de
mulher.
Sinto-me só.
Em todas as coisas que me rodeiam
Há um desconhecimento completo da minha
infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado
de mim próprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas
que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo é deserto, minha alma é vazia
E tem o silêncio grave dos templos
abandonados.
Eu espio a noite pela janela
Ela tem a quietação maravilhosa do
êxtase.
Mas os gatos embaixo me acordam gritando
luxúrias
E eu penso que amanhã...
Mas a gata vê na rua um gato preto e
grande
E foge do gato cinzento.
Eu espio a noite maravilhosa
Estranha como um olhar de carne.
Vejo na grade o gato cinzento olhando os
amores da gata e do gato preto
Perco-me por momentos em antigas
aventuras
E volto à alma vazia e silenciosa que
não acorda mais
Nem à noite clara e longa como um olhar
de mulher
Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se
amando na rua.
Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não
viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que
eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem
sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca
vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor
que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa
cair
Pra que somar se a gente pode
dividir
Eu francamente já não quero nem
saber
De quem não vai porque tem medo de
sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não
vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai
ter nada, não
Vinícius de Moraes e Toquinho
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis
assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não
existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinicius De Moraes E Tom Jobim
Serenata do Adeus
Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer dos braços meus
Cai a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: adeus
Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida
afora
É refletir na lágrima
Um momento breve
De uma estrela pura, cuja luz
morreu
Ah, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir
Rasga o meu coração
Crava as garras no meu peito em
dor
E esvai em sangue todo amor
Toda a desilusão
Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida
afora
É refletir na lágrima
Um momento breve de uma estrela
pura
Cuja luz morreu
Numa noite escura
Triste como eu
Ausência
Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado
Eu deixarei...
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
Solidão A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha,
que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado
em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode
dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de
amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do
povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece
também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se
recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e,
encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada
torre.
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Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes,
conhecido como Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro, com ascendência nobre e de dotes artísticos, e morreu de edema pulmonar no dia 9 de julho de 1980 em sua casa na Gávea, ao lado de seu parceiro Toquinho e de Gilda Mattoso.
Com apenas 16 anos entrou para a Faculdade de Direito do Catete, onde se formou em 1933, ano no qual teve seu primeiro livro publicado “O caminho para a distância”. Durante o período de formação acadêmica firmou amizades com vínculos boêmios e desde então, viveu uma vida ligada à boemia.
Após alguns anos foi estudar Literatura Inglesa na Universidade de Oxford, no entanto, não chegou a se formar em razão do início da Segunda Guerra Mundial. Ao retornar ao Brasil, morou em São Paulo, onde fez amizade com Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade e também efetivou o primeiro de seus nove casamentos. Logo após algumas atuações como jornalista, cronista e crítico de cinema, ingressou na diplomacia em 1943. Por causa da carreira diplomática, Vinicius de Morais viajou para Espanha, Uruguai, França e Estados Unidos, contudo sem perder contato com o que acontecia na cultura do Brasil.
É um dos fundadores do movimento revolucionário na música brasileira, chamado de “Bossa Nova”, juntamente com Tom Jobim e João Gilberto. Com essa nova empreitada no mundo da música, Vinicius de Moraes abandonou a diplomacia e se tornou músico, compôs diversas letras e viajou através das excursões musicais. Durante esse período viveu intensamente os altos e baixos da vida boêmia, além de vários casamentos.
O início da obra de Vinicius de Moraes segue uma aliança com o Neo-Simbolismo, o qual traz uma renovação católica da década de 30, além de uma reformulação do lado espiritual humano. Vários poemas do autor enquadram-se nesta fase de temática bíblica. Porém, com o passar dos anos, as poesias foram focando um erotismo que passava a entrar em contradição com a sua formação religiosa.
É um dos fundadores do movimento revolucionário na música brasileira, chamado de “Bossa Nova”, juntamente com Tom Jobim e João Gilberto. Com essa nova empreitada no mundo da música, Vinicius de Moraes abandonou a diplomacia e se tornou músico, compôs diversas letras e viajou através das excursões musicais. Durante esse período viveu intensamente os altos e baixos da vida boêmia, além de vários casamentos.
O início da obra de Vinicius de Moraes segue uma aliança com o Neo-Simbolismo, o qual traz uma renovação católica da década de 30, além de uma reformulação do lado espiritual humano. Vários poemas do autor enquadram-se nesta fase de temática bíblica. Porém, com o passar dos anos, as poesias foram focando um erotismo que passava a entrar em contradição com a sua formação religiosa.
Após essa fase de dicotomia entre prazer da carne e princípios cristãos, infelicidade e felicidade, Vinicius de Moraes partiu para uma segunda fase poética: a temática social e a visão de amor do poeta.
Há diferenças na estrutura da primeira fase poética do escritor em relação à segunda: a mudança dos versos longos e melancólicos para uma linguagem mais objetiva e coloquial.
PS- Indico o site abaixo para quem desejar conhecer o Poeta
através de muitas fotos e bem mais sobre a sua vida.
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