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terça-feira, 3 de setembro de 2013

FOICE DO TEMPO - Elen de Moraes Kochman

   





Foice do tempo


Elen de Moraes Kochman


Acordo o tempo
do seu letárgico sono,
para reter todo néctar
da tenra flor do abandono.
Efêmera juventude
que vaga desajustada
nas madrugadas da vida,
cuja memória é estrada
que balbucia e chora
sofrida perda dos sonhos,
por suas esquinas...  afora.



Acordo o tempo,
acendo as luzes das dores
para mostrar que a vida
escorre entre os horrores
e os meios-fios das rugas
ao longo das avenidas,      
lavadas e empoçadas        
pelo sangue ali vertido     
dos olhos da violência,
que por cruel abandono
perdeu a sua inocência.



Acordo o tempo
antes da noite escoar,
para que eu tenha mais tempo
de outros sonhos sonhar...
Caminho no beiral do dia
onde a vida se refaz
em gomos de fantasia.
Em meio às névoas do cais,
engulo tanta agonia,
ilusões anoitecidas,
enlameadas... Perdidas!

Pois contra a foice do tempo
é vã qualquer alquimia,
inútil qualquer passatempo!


 Publicado na Antologia
     "Terra Lusíadas"
 


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