NATAL SOLIDÁRIO Elen de Moraes
Com a crise econômica rondando o planeta, o natal e as festas de fim de ano perdem grande parte do brilho exuberante das luzes que enfeitam cidades e lojas, pela economia que se recomenda. Desacelera-se o consumo e isso se reflete nos presentes trocados e até no cardápio da ceia, porém, não há necessidade mesmo de se gastar tanto, se lembrarmos que o Aniversariante levou uma vida bem simples.
Para quem sempre viveu na corda bamba da crise tendo que economizar e se privar de diversas coisas por não ter bola de cristal para adivinhar o que será do dia seguinte, fica difícil imaginar como pessoas que vivem em países ricos, sem que jamais precisasse “apertar o cinto”, que nunca tiveram necessidade de cortar gastos ou renunciar ao supérfluo, as viagens, roupas caras e boa comida, estão reagindo e se estruturando para o inseguro dia do amanhã, incerto para pobres e ricos. O momento, além de cuidado com as finanças, pede solidariedade. Quem convive com o medo de perder mais do que já perdeu, deveria se lembrar dos que nunca tiveram nada para perder, dos que sempre sofreram com a escassez de alimento e ainda assim repartem entre si o pouco que conseguem comprar. Talvez, lembrar não seja a palavra adequada e sim aprender. E aprendido têm os brasileiros que participam das campanhas para um natal melhor e para citar só uma, faço referência à “Campanha de Natal dos Correios”, realizada há 22 anos e que já se tornou sinônimo de solidariedade. Quem se dispõe a ajudar, adota uma das cartas que chegam aos milhares nas agências, enviadas por crianças carentes, endereçadas ao Papai Noel, com os mais diversos pedidos, desde bicicletas, bolas e bonecas, até material escolar e cesta básica para a ceia de natal. Os presentes são levados para os correios, anexados à cartinha que foi adotada, e os mesmos são entregues, gratuitamente, às crianças, antes do natal, pelos funcionários dessa empresa. Lendo a respeito das campanhas natalinas e sobre as curiosidades desses festejos em outros países, duas histórias chamaram-me a atenção: a mudança do enfoque numa escola para Papai Noel, tendo em vista o treino para comportamento diferenciado, diante da crise econômica e o natal de 2011 da Família Real Portuguesa. Sobre a escola para Papai Noel na Charles W. Howard, a mais antiga e famosa para treiná-los, dos Estados Unidos, muitas recomendações continuam as mesmas há 75 anos, entretanto, neste ano, a crise econômica tem maior peso. O Papai Noel tem que ter a certeza de nunca prometer nada para as crianças e devem aprender a moderar seus pedidos de acordo com suas famílias e saber o que responderem diante de alguns, tais como: “você pode trazer um emprego para o meu pai”? Até porque muitos Papais-Noéis se encontram ali também por estarem desempregados. Quanto ao Natal da Família Real Portuguesa, numa entrevista especial dada a uma revista e publicada num blog, são descritos, geralmente, como são seus natais, falam sobre o cardápio de bacalhau, carnes e doces típicos para o dia 25 e o que servem no jantar da véspera, não podendo faltar as receitas brasileiras de crepes de nozes com queijos e natas e fiambre assado no forno com melaço de cana e cravos, pratos preferidos de D. Duarte (e que eu recomendo por serem deliciosos). Quanto aos presentes para as crianças, são ofertados em duas etapas: na reunião familiar do dia 25 de dezembro, recebem os presentes dos tios, avós e demais familiares e em oito de janeiro, dia de Reis, recebem os dos pais. Neste ano, entretanto, devido à crise econômica, “a Família Real decidiu acentuar o seu espírito solidário e combinou com as crianças que cada uma só irá receber um presente dado por todos os tios e o restante do dinheiro, que seria para outros presentes, será doado a uma Instituição”. Segundo a mãe, “é necessário que as crianças percebam que o importante no Natal não são os presentes e sim a celebração da vida do Menino Jesus, o espírito de paz, amor e caridade”. Tai um preceito que é um ótimo exemplo a ser seguido, de adesão e apoio aos necessitados, que traduz, no gesto, o amor ao nosso semelhante, um dos grandes ensinamentos de Jesus Cristo. Feliz Natal para O Tribuna Portuguesa e sua equipe, seus leitores, anunciantes e colaboradores. E o meu abraço daqui do Brasil. |
"Somethings in the rain" - playlist da série
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
NATAL SOLIDÁRIO - Elen de Moraes Kochman
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
CATARSE - Elen de Moraes
Catarse
Elen de Moraes Kochman
Qualquer êxtase para o tempo se exaurir
Na graça redentora... e a vida se estancar. Intensa emoção para o amor adquirir Centelhas... e de novo se inflamar. Qualquer música para libertar a alma Alquebrada... magoada pela partida. Melodia inebriante que me dê calma E adormeça em meu coração a dor sentida. Qualquer motivo para suportar a espera... Catarse para quem chora e se desespera Por sofrer a dor que alucina, sem indulgência. Qualquer palavra que faça secar o pranto, Transformar a amarga lágrima em acalanto, Pelo amado Ser que se foi desta existência |
Catarsis
Versão de Pablo Rueda
Soneto de Elen de Moraes Kochman
Cualquier éxtasis para el tiempo a examinar
en la gracia redentora de la vida a estancar... Intensa emoción para el amor adquirir, centella que de nuevo va a inflamar.
Cualquier música para liberar el alma
Quebrada, lastimada por la partida... Melodia embriagante que me da calma, Y adormecida en mi corazón, de dolor sentida.
Cualquier motivo para soportar la espera,
catarsis para quien llora y se desespera por sufrir un dolor que alucina, sin clemencia.
Cualquier palabra que haga secar el llanto
y transformar la lágrima en canto, por el amado ser, que partió de esta existencia. |
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
O tempo passa? Não passa - Carlos Drumond de Andrade
Pelo dia D - (109 anos)
O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.
O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.
Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.
E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.
Carlos Drummond de Andrade,
in 'Amar se Aprende Amando'
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Fantasia e realidade - Abstrações da mente (Elen de Moraes)
http://www.tribunaportuguesa.com/


Fantasia e
realidade
(Abstrações
da mente)
Elen de Moraes Kochman
As pessoas que gostam de conversar, de ter com quem
dialogar, trocar impressões e com elas interagir, não conseguem viver isoladas
por longo período. Sentem necessidade de colocar, verbalmente, suas reflexões,
contar sobre o seu dia a dia, fazer suas piadas e muito mais. São extrovertidas
e, geralmente, de bem com a vida. Para elas é motivo de pesar não encontrar
alguém que tenha o mesmo pendor, quem não lhes dê atenção.
Não me refiro àquelas que falam além da conta, sem dar aos
interlocutores a oportunidade de se manifestarem. Tais pessoas se tornam tão
inconvenientes que ao chegar numa roda de amigos, antes mesmo que abra a boca,
a maioria vai saindo de fininho e quem fica, ouve para não ser desagradável,
sem atentar, no entanto, para o que dizem.
Aqui abro um parêntesis para mencionar os que só falam sobre
dores, doenças e sofrimentos. São tão repetitivos que alguns amigos e
familiares fogem, para não ouvir as “ladainhas” de sempre, como dizem.
Entretanto, é bom lembrar que devemos “chorar com os que choram e alegrar com
os que se alegram”. Hoje, eles; amanhã, quem sabe, um de nós, a necessitar de
carinho e de um ombro amigo.
Do mesmo modo, quem gosta de solidão, de estar a sós com
seus pensamentos, sem muito interatuar com seus colegas de trabalho, amigos ou
vizinhos, quando chega a algum lugar onde todos falam ao mesmo tempo, ou quando
o desejo de estar calado é interrompido por alguém deveras expressivo, que
requer atenção por mais tempo do que tem disponível, sente-se molestado a tal
ponto que não encontra melhor solução do que a de se despedir mais cedo.
Também aqui não me refiro aos que se acham superiores, aos
arrogantes que preferem não dialogar com pessoas que prejulgam de nível
intelectual inferior. Não! Refiro-me às pessoas que preferem a própria
companhia e as que adoram os longos, amigáveis e descontraídos bate-papos. Mas,
convenhamos que ir aonde falam e riem tão alto que para sermos ouvidos
necessitamos falar mais alto ainda, é insuportável. O mesmo se dá quando o
silêncio impera numa reunião: é tão ou mais desagradável quanto.
E há os que amam e têm o dom de escrever. Ah, esses
sonhadores também têm grande prazer em conversar, porém, paradoxalmente,
silenciar e observar, igualmente, faz parte. Enquanto observam, enriquecem seu
fantástico mundo interior e armazenam subsídios para seus escritos. Acredito
que os melhores ouvintes, ou os mais pacientes, são os escritores.
Escrever vicia? Não sei! Entretanto, quem escreve
tem uma vastidão de fantasias e realidades entrelaçadas, a envolver seus
pensamentos, que volta e meia se abstraem e mergulham fundo nesses alheamentos
da mente. Quem gosta, sente necessidade de escrever todos os dias e desse
prazer não abre mão, nem que seja para apagar ou jogar num fundo de
gaveta. Difícil de entender, para quem não curte ou, absolutamente, não lê.
E aqui volto ao início do que falei acima, em relação entre os que gostam de conversar ou escrever: ambos necessitam de interlocutores
e o do escritor é o leitor. De que adianta publicar um bom livro, com um tema
de grande interesse ou um jornal excelente, se não houver leitores? Eles existem em menor número se comparados aos que gastam horas intermináveis em frente à televisão.
No nosso país ainda se lê pouco, mas já se lê bem mais,
porém, como disse Elmer Corrêa Barbosa, “a maioria dos leitores que frequenta
as livrarias em nossos dias, ao buscar livros para comprar, deseja o óbvio ou a
fantasia inconsequente. Com isso, os livros mais vendidos são os que contam
histórias “edificantes”, narrativas povoadas de magos e sábios...”
Ler é recomendado para quem deseja envelhecer com qualidade,
pois ao estimular o cérebro, a memória se recompõe. Quem lê compreende melhor o
que ouve, fala e escreve melhor, porque enriquece seu vocabulário. A leitura
abre horizontes e capacita o desenvolvimento de um povo. E de novo meu aplauso
para D. João VI, que contribuiu grandemente para a nossa cultura quando, ao se
instalar com a família Real no Brasil, fundou em 1810 a Biblioteca Real, com 60
mil livros trazidos de Portugal.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Um futuro ao alcance das mãos: sonho e realidade - Elen de Moraes Kochman
1º/07/2011
O futuro ao alcance das mãos:
sonho e realidade.
Às vezes escrevo até altas horas e para não me sentir só deixo a tv ligada baixinho. Numa dessas madrugadas, chamou-me a atenção uma reportagem feita nos Estados Unidos sobre jovens americanos que se preparam para vir trabalhar no Brasil. Segundo eles, um país que deixou de ser do futuro, que emergiu e se transformou num lugar de diversificadas oportunidades de trabalho, principalmente para os que têm especialização em determinada área. Buscam informações sobre nossa cultura e se antes havia quem achasse que falávamos espanhol, atualmente fazem questão de aprender a nossa língua. Na Universidade de Pittsburg, Pennsylvania, a língua portuguesa entrou no currículo dos futuros advogados, administradores e engenheiros.
As turmas começaram pequenas, mas, agora contam com mais de cem pessoas frequentando as aulas regularmente. Anteriormente, nosso país chamava atenção por ser “exótico”. Hoje, desejam conhecê-lo por ser importante para a economia global e pelos empregos que surgirão com a Copa do mundo de futebol e as Olimpíadas que acontecerão nos próximos anos.
“Os Estados Unidos do pós-guerra e o Brasil de hoje vivem a antevéspera de uma expansão fenomenal”, afirma Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia. Após décadas de dificuldades econômicas e injustiça social pela grande desigualdade entre pobres e ricos, surge no Brasil uma nova classe média. Não igual à americana daquela época, que era uma sociedade próspera e mais igualitária, porém, com “clara semelhança psicológica. Um otimismo, uma sensação de pujança, de que o futuro está ao alcance da mão”, enfatiza Lamounier. Esta não é a primeira vez que os americanos dos Estados Unidos se interessam em imigrar para o Brasil. Depois do término da guerra civil, pelos idos de 1865, quando o sul foi derrotado e a falta de alimentos, confisco de colheitas e a destruição de estradas e ferrovias eram noticias em todos os jornais, muitos sulistas passando por tal sofrimento, decidiram deixar sua terra natal e procurar segurança e melhor vida em outros paises. Quando o Rev.Ballard S. Dunn escreveu o livro “Brazil the Home for southerners (Brasil, o lar dos sulistas)”, grande parte deles tomou a decisão de vir para cá. Organizaram-se em associações de amigos e parentes e enviaram representantes para sondagens em diversos países das Américas. Só ao Brasil mandaram cerca de trinta representantes, que foram muito bem acolhidos pelo governo de Dom Pedro II, Imperador nessa época, que colocou à disposição intérpretes e transportes gratuitos, para que conhecessem as mais diversas regiões do país. Muitos Brasileiros também sonham, ainda hoje, em fazer a vida nos Estados Unidos. O sonho é diferente daqueles dos anos 50 e 60, quando o cinema nos mostrava a vida glamourosa dos artistas, quando o rock estava no auge e nos apaixonávamos por aqueles homens belíssimos de olhos claros, que só víamos nos filmes e numa ou noutra revista. Os rapazes se identificavam com os “mocinhos” que “desbravavam o oeste em busca do ouro”. Sonhávamos o mesmo sonho dos americanos! Rejeitávamos o samba, só queríamos ouvir músicas americanas, vestir calças jeans e amarrar o cabelo num rabo de cavalo como as meninas dos filmes. Era “chique” e sinal de status mandar os filhos passear na Disney. Hoje, ainda há adolescentes que preferem festejar lá seu aniversário de quinze anos. O sonho era maravilhoso, porém, seu despertar, para os que não recebiam o visto de entrada no país e usavam a fronteira do México, era (e é) o pesadelo de viver na clandestinidade, desempregados, sem dinheiro para voltar e muitas vezes sendo presos, isso quando não perdem a vida ao tentar atravessar a fronteira.
Presentemente, a indústria de turismo americana pressiona para que a exigência do visto de entrada para os brasileiros seja abolida. Uma pesquisa nos apontou como o povo que mais gasta dinheiro nos Estados Unidos. Calcula-se que a cada ano se cria 42 mil empregos com o movimento dos turistas brasileiros. E olha que, em média, aqui se espera na fila uns quatro meses para que o consulado dê, ou não, o tal visto e o consulado de São Paulo é o que mais o emite para os Estados Unidos, no mundo. Porem, grande parte desiste de esperar e vai para a Europa, Oriente ou faz turismo por aqui mesmo.
Agora o sonho se inverte: quem partiu, pelo sonho americano, hoje volta, pela realidade brasileira. Alguns, com emprego arrumado; outros, para montar o próprio negócio e muitos com a esperança de logo arranjar uma colocação. Voltam com alegria pelo reencontro com a família e o orgulho de serem filhos (e donos) do solo desta mãe gentil, chamada Brasil. |
terça-feira, 19 de julho de 2011
LUA CONFIDENTE (sonho de adolescente) - Elen de Moraes Kochman
LUA CONFIDENTE
(Sonho de adolescente)
Elen de Moraes Kochman Meu sonho de Cinderela, tantos anos desejado, era olhar o anoitecer... Ver através da janela, de algum castelo encantado, a lua cheia nascer; ver uma estrela cadente numa dança sem igual, piscando incessantemente no seu bailado final; ver a noite com seu manto cobrir colina distante e silenciar o canto de um passarinho errante; no jardim iluminado pela lua confidente, ver chegar o meu amado... e com seu jeito envolvente tomar-me... apaixonado, num beijo intenso e ardente... Ver o dia amanhecer aconchegada em seus braços, satisfeita... e adormecer |
sábado, 2 de julho de 2011
UM BRINDE A PORTUGAL PELO SEU DIA - Elen de Moraes Kochman
Um brinde a Portugal
Pelo seu dia!
Elen de Moraes Kochman
Neste mês de junho quando se festeja o dia de Portugal, oportuno se faz relembrar os importantes feitos da sua história, seus audazes navegadores, o destemor do seu laborioso povo ao embrenhar-se por terras recém- descobertas, desbravando-as, sua intrepidez ao demarcá-las, confrontar nativos, expulsar invasores, fundar povoados, fixar o homem no campo e lhe ensinar o cultivo do solo com mudas de plantas trazidas de outros continentes, como a cana-de-açúcar, que durante séculos foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando homens e nações e que ainda hoje contribui, grandemente, para gerar riquezas em nossa terra.
Quando Martim Afonso de Souza trouxe consigo, do sul da Ásia, suas primeiras mudas, talvez jamais tenha imaginado que estaria permitindo ao Brasil, séculos depois, tornar-se um dos principais exportadores de açúcar, ser o maior produtor do biocombustível tirado da cana, o etanol, e ocupar posição de liderança na tecnologia da sua produção, conquistando sua auto-suficiência com esse combustível alternativo, não poluente, que supre hoje metade da nossa frota de carros leves. Consta que o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, que se tem notícia, o famoso Engenho São Jorge dos Erasmos, cujas ruínas podem ser visitadas ainda hoje, foi instalado pelos Açorianos, em 1532, no litoral paulista, na Capitania de São Vicente. Segundo alguns historiadores, nessa época, a cana já era plantada em Pernambuco e na Bahia. Com o açúcar, nasceu, por acaso, a cachaça e sua história se confunde com a descoberta do Brasil. O método consistia em se moer a cana, ferver o caldo e em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas. Quando o caldo desandava e fermentava, era jogado fora, dando origem a um produto que se chamava “cagaça”, que servia para alimentar os porcos e que os escravos tomavam e trabalhavam com mais vontade. Não há consenso quanto ao seu nome. Alguns pesquisadores têm outras teses. Através dos tempos, ganhou apelidos: caninha, pinga, abrideira, engasga-gato, água que passarinho não bebe, branquinha, “marvada” e outros. Na época do Brasil colônia, a bebida foi usada como moeda de troca na África, na compra dos escravos. O sucesso da Cachaça era tanto e tão grande a sua preferência, que o destilado português, a Bagaceira, foi perdendo terreno, dando enormes prejuízos à Coroa e, por isso, os impostos foram sobretaxados sobre a venda da nossa aguardente, o que não resolveu o problema, porque ela passou a ser contrabandeada. Portugal, então, decidiu proibir a sua produção e se alguém fosse pego descumprindo as leis, seria extraditado para a África. Muitos alambiques foram destruídos e navios queimados. Nos fins de 1660, o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, visando o lucro gerado pela bebida, ignorou a proibição e liberou seu consumo e fabricação, mas, para a população usufruir da bebida, teria que pagar impostos abusivos. A cobrança fez a população se revoltar e quando o governador foi a São Paulo, deixando seu tio no poder, os donos de engenhos e moradores da região de São Gonçalo e Niterói, com o apoio dos soldados, ocuparam a sede do governo e ali se mantiveram por cinco meses, com Agostinho Barbalho eleito pelo povo. No poder, logo jurou fidelidade a Portugal. Mais tarde foi substituído, por incompetência, pelo irmão Jerônimo Barbalho. Salvador de Sá que havia pedido reforços da Bahia, retomou o poder, montou uma corte marcial, mandou prender os revoltosos e decapitou Barbalho. O Conselho de Portugal, que cuidava das colônias, não tinha ficado satisfeito com a revolta da cachaça, mas, igualmente não gostou da violência cometida contra Barbalho. Salvador de Sá foi afastado, teve que responder a processo. Voltou para Portugal e nunca mais pode vir ao Brasil. Ainda em 1661, a rainha de Portugal, a regente Luísa de Gusmão, permitiu a fabricação da aguardente no Brasil. Nos últimos anos o grande diferencial da cachaça artesanal tem sido o processo de envelhecimento que utiliza, além dos barris de carvalho, cada vez mais, as madeiras brasileiras. O nome “Cachaça” passou a ser oficial a partir de 2002 e só pode estar nos rótulos das cachaças artesanais. As industrializadas recebem rótulo de “Aguardente de cana”. Com a nossa bebida mais famosa e seu toque especial que empresta incomparável paladar à nossa caipirinha, que só não é mais ardente do que o prazer que proporciona aos seus apreciadores, um brinde a Portugal, pelo seu dia! |
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Edição de 1º/06/2011
Edição de 1º/06/2011
Pesquisa: Museu da cachaça:
quinta-feira, 30 de junho de 2011
CORRER ATRÁS DO VENTO - Elen de Moraes Kochman
Correr atrás do vento
Elen de Moraes
Tem dias que acordo com a estranha sensação de que não sou deste lugar. Sinto a casa vazia, sem vida, evidenciando objetos que me parecem tão fora do comum, que não os reconheço como meus. Os móveis se revelam gastos, sem brilho, as cortinas e estofados já não têm aquele cheiro característico de tecido novo - nem viço - e os tapetes dão idéia de ocupar espaços e não de enfeitar o ambiente ou amortizar ruídos.
Nesses dias a paisagem que há muitos anos vislumbro do meu terraço, não a distingo mais com a exuberância de antes e, para dizer a verdade, não sei se a vejo porque os meus olhos podem enxergar ou se porque é impossível não divisar os edifícios que brotam como ervas daninhas bem adubadas, entre os antigos e ensolarados casarões, agora sombrios e desbotados, que eu, romanticamente, tanto gostava de admirar. Até o ir e vir dos transeuntes, que me deixava curiosa tentando adivinhar seus pensamentos, dores e alegrias da alma, dá-me a impressão de pessoas apressadas que andam de lá para cá, sem que eu consiga entender se conversam consigo mesmas ou se seus lábios se movimentam em rituais silenciosos, em preces, ou se dizem impropérios contra as calçadas mal conservadas e as ruas mal iluminadas. Pior do que essa estranha sensação é a de me sentir invisível quando cumprimento alguém nos elevadores ou corredores do prédio onde moro. Respondem olhando o teto, o chão ou ajeitando-se ao espelho. Não se dão ao trabalho de se voltarem para ver com quem falam. Só as crianças, meio tímidas, fazem perguntas. Há exceções, bom lembrar. Os porteiros e empregados, geralmente, sorriem com gentileza quando entro ou saio, mas sinto que não me vêem. Também não sei se os vejo, pois jamais sei se são novos ou antigos no emprego, posto que não consigo identificar o que os diferenciam, uma vez que todos têm o mesmo olhar entristecido e a velha desilusão no rosto marcado pelo cansaço. Ponho-me a pensar por que tudo isso me causa desgosto se antes não me sentia assim e por que só agora o tempo se detém nos detalhes que eu não percebia. Por que, de repente, a vida perde o sentido da graça, dando-me a impressão de que tudo se repete com as horas, os dias e os anos. Pergunto-me em quais momentos me perdi de mim ou será que são nesses estranhos e amiúdes momentos que me encontro? Descartada a hipótese de alguma patologia, sobra certeza do vazio existencial, da intolerável rotina, a convicção de que mais da metade da vida é passado e que futuro é só uma esperança, sobra a segurança plena que isto é envelhecer, ou seja, esse sentir-se estranho na própria casa e transparente para a família, vizinhos e muitos que se dizem amigos, como se fizéssemos parte da mesma paisagem observada dia após dia. Dizem que envelhecer é isso e que é melancólico porque, aos poucos, nos transformamos em alguém que muitos olham sem ver, que ouvem sem escutar, com quem conversam sem dialogar, que questionam sem querer respostas. Envelhecer, então, é aceitar a rotina do tempo, o que os outros nos impõem, além do que já nos impõe a vida? E os sonhos que ainda sonhamos, onde os colocamos? Enterramos com os anos e as ilusões que se foram? Ninguém deseja ser aquele “móvel velho” que é deixado para trás, colocado na porta como lixo, quando a família vai para novo endereço. Tampouco a “antiguidade” que é tratada com cuidado só pelo seu valor comercial. Figura de retórica à parte, importante é reagir, mudar, recomeçar! E não permitir, jamais, ser tratado como objeto fora de uso. “O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos”, diz Airton Luiz Mendonça e continua: “se repetirmos algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida”. Se ao envelhecermos a vida se transforma numa rotina sem fim, e perde a graça e os dias parecem menores, o segredo está em vivenciarmos coisas novas, aquelas que a mente vai parar e pensar. Os dias nos parecerão mais longos e cheios de novidades, a vida mais colorida e movimentada. Salomão, do alto da sua notável sabedoria, explica esses questionamentos. Em seus livros de Provérbios e Eclesiastes, fala sobre a nossa finitude e sobre o tempo de todas as coisas: nascer, morrer, rir, chorar, plantar, colher, etc., e mesmo quando afirma que tudo na vida é vaidade, é correr atrás do vento, ele nos ensina e encoraja a aproveitar as coisas boas que ela nos oferece sem, entretanto, esquecermos a transitoriedade das mesmas. |
sábado, 25 de junho de 2011
PARTIR (tributo a Michael Jackson) - de Elen de Moraes Kochman
PARTIR...
(Pântano do tempo)
Elen de Moraes Kochman
Partir...
Romper amarras
Em busca
de horizontes impensados,
Perseguir ilusões temerárias,
Viajar pelos
sonhos postergados
Das terras do nunca...
Imaginárias!
Partir...
Libertar-se dos grilhões,
Dos fantasmas...
Dos medos passados!
Sondar, dos mistérios, os calabouços,
Vaguear por
lugares encantados,
Esquadrinhar, de outras esferas, os
arcabouços.
Partir...
Vestir-se de escolhas,
Abrir par em par, da
alma, as escotilhas,
Com destemor pelo desconhecido.
Navegar, peito
aberto, sulcando armadilhas.
Jogar no esquecimento o que foi
preterido.
Partir...
Despir-se de controles,
Descerrar um a um, do
futuro,
Os finos véus que encobriam esperanças.
Trazer à luz o que estava
obscuro...
Desvencilhar-se de tantas cobranças!
Partir...
Adormecer
com a verdade
E acordar nos labirintos da certeza...
Cingir-se com o manto
da liberdade,
Dar novas cores, fantasia e beleza
Ao embrulho da áspera
realidade.
Partir...
Palmilhar estradas,
Encharcar os pés no
pântano do tempo.
Tempo apressado que o presente invade,
Tempo liberto de
todo sofrimento!
Tempo que se dilui... no rasto da saudade...
Tributo à Michael Jackson
Rio de Janeiro, 25 de junho de 2009
|
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
ASI FUÉ - Isabel Pantoja
ASÍ FUE
Isabel Pantoja Perdona si te hago llorar Perdona si te hago sufrir Pero es que no esta en mis manos Pero es que no esta en mis manos,
me he enamorado,
Me he enamorado,
me enamore.
Perdona si te causo dolor Perdona si hoy te digo adiós Como decirle que te amo Como decirle que te amo Si el me ha preguntado,
le dicho que no,
Le dicho que no. Soy honesta con el y contigo A el lo quiero y a ti te he olvidado Si Tu quieres seremos amigos Yo te ayudo a olvidar el pasado. No te aferres, Ya no te aferres, a un imposible Ya no te hagas,
ni me hagas mas daño.
Tu bien sabes que no fue mi culpa Tu te fuiste sin decirme nada Y a pesar que llore como nunca Yo seguía de ti enamorada. Pero te fuiste Y que regresabas,no me dijiste Y sin mas nada por qué? No se Pero fue así,así fue. Te brinde la mejor de las suertes Me propuse no hablarte ni verte Y hoy que has vuelto ya ves,solo hay nada Ya no puedo ni debo quererte. Ya no te amo Me ha enamorado,de un ser divino De un buen amor Que me enseno a olvidar y a perdonar |
terça-feira, 21 de junho de 2011
VERSOS EM BRASAS - Elen de Moraes Kochman
Versos em Brasas
Elen de Moraes Kochman
Devolvo-te agora as cartas que me mandaste. Belas palavras, que muita emoção me deram. Tão múltiplas esperanças elas trouxeram Nas falsas promessas, com as quais tu me enganaste. Mando-te as rosas vermelhas, secas... Contraste Entre a paixão e as mentiras que compuseram Os teus reais sentimentos. Elas fizeram Diferença em meio às juras... às quais me ataste. Porém, quero de volta meus dias passados Em teus braços... fazendo amor, furtivamente... Os beijos que te dei... e os que foram roubados! Só não devolvo teus versos... infelizmente! Pelas ondas, com as areias, foram levados... Se bem que vivem em brasas na minha mente! |
domingo, 19 de junho de 2011
A TUA SINA - Elen de Moraes Kochman
A tua sina
Elen de Moraes Kochman
Teu canto... que atravessa a madrugada,
É triste, por estar tão longe dela. Mas, de piegas, decerto não tem nada, Pois mostrar amor... é a expressão mais bela!
Tu ris... e o riso é de felicidade
Pelo teu coração apaixonado! Tua ilusão é a tua liberdade Pra ostentares teu Ser iluminado...
As notas do poema no teu rosto
São os traços da tua alma inspirada... E mesmo que te venha um sol posto, O amor há de clarear a tua estrada.
Se o riso da paixão te ilumina,
Não é o riso e, sim, o amor, a tua sina! |
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VOZ: Elen de Moraes Kochman - Elegia do adeus
Rio de Janeiro - Br

Aterro do Flamengo - ressaca
Amanhecer no Rio de Janeiro

Amanhecer no Rio de Janeiro

Nevoeiro sobre a Tijuca

Rio de Janeiro
Tempestade sobre a Tijuca

R< - Br
Eu me perco em teu olhar...
