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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

FOICE DO TEMPO - Elen de Moraes Kochman

   





Foice do tempo


Elen de Moraes Kochman


Acordo o tempo
Do seu letárgico sono,
Para reter todo néctar
Da tenra flor do abandono.
Efêmera juventude
Que vaga desajustada
Nas madrugadas da vida,
Cuja memória é estrada
Que balbucia e chora
Sofrida perda dos sonhos,
Por suas esquinas afora.



Acordo o tempo,
Apago as luzes das dores
Para mostrar que a vida
Escorre entre os horrores
E os meios-fios das rugas
Ao longo das avenidas,      
Lavadas e empoçadas        
Pelo sangue ali vertido     
Dos olhos da violência,
Que por cruel abandono
Perdeu a sua inocência.



Acordo o tempo
Antes da noite escoar,
Para que eu tenha mais tempo
De outros sonhos sonhar...
Caminho no beiral do dia
Onde a vida se refaz
Em gomos de fantasia.
Em meio às névoas do cais
Degusto tanta agonia,
Ilusões anoitecidas,
Enlameadas... Perdidas!

Pois contra a foice do tempo
É vã qualquer alquimia,
Inútil qualquer passatempo!


 Publicado na Antologia
     "Terra Lusíadas"
 


Um comentário:

Malu disse...

Sempre um prazer passar por aqui e poder ler belas postagens.
Um grande abraço

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