Timidez
Cecília meireles Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve... - mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes... - palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, - que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegando nos ares certos do tempo, até não se sabe quando... - e um dia me acabarei. |
"Somethings in the rain" - playlist da série
sábado, 31 de agosto de 2013
TIMIDEZ - Cecília Meireles
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
AMORES CLANDESTINOS - Dom Pedro II e Luisa - por Elen de Moraes Kochman
1º/03/2011
Amores clandestinos
Dom Pedro II e Luísa
Elen de Moraes
A história está repleta de amores e paixões proibidas. Nas mais simples às mais abastadas e influentes famílias, sempre há um caso oposto às conveniências a ser contado ou escondido. Muitos primeiros-ministros e governos caíram pelos seus amores clandestinos! Sem contar os que estão por cair. O Brasil não fica a dever: de vez em quando surge a notícia de que um político engravidou uma mulher fora do casamento ou sobre a amante de algum deles que, indiretamente, o povo sustenta. Entretanto, voltando o relógio do tempo, nos deparamos com amores proibidos e famosos, em todas as épocas. No Brasil, com a chegada da família real, no seculo 19, a cidade tornou-se efervescente e os amores escandalosos mais comentados, até porque nada era feito às escondidas. Conta a história que Dom João VI, homem inteligente e culto, que gostava mais de comer do que de sexo, tampava os ouvidos aos falatórios sobre sua esposa, Dona Carlota Joaquina de Bourbon, e seus inúmeros amantes, chegando a nomear um deles para Diretor do Banco do Brasil. Seu filho, o Imperador Dom Pedro I, tido como mulherengo e algo vulgar, foi homem de muitas amantes e sua vida amorosa rica em acontecimentos. Teve muitos filhos bastardos, com todo tipo de mulher. Já o seu herdeiro, Dom Pedro II, tímido, introspectivo e discreto, era mais seletivo. Assumiu o Trono ainda jovem e ao se casar sentiu-se enganado porque lhe mostraram a pintura de uma linda morena de Nápoles, por quem se interessou, porém, pessoalmente, era tão feia que o príncipe, ao vê-la, teve um ataque de choro. Foi o que o empurrou para os braços de outras mulheres. Aos 31 anos conheceu Luisa Margarida Portugal de Barros, Condessa de Barral, mais velha nove anos, por quem perdidamente se apaixonou. Segundo historiadores, foi a única mulher que ele amou. Nutria por ela, além da paixão, uma grande admiração intelectual. Mantiveram o romance por trinta e quatro anos, a maior parte do tempo através de cartas, que ambos combinaram destruir. Dom Pedro II cumpriu sua promessa, porém Luisa, mais romântica, guardou as suas e, através delas, boa parte da história de sua vida e do Brasil está sendo contada. Segundo Mary Del Priori, Luisa era filha do Visconde de Pedra Branca, dono de vários engenhos de açúcar no Recôncavo Baiano. Casou-se por amor com o visconde de Barral, na França, onde vivia desde jovem. Para lá fora enviada pelos pais para estudar. Como Barral não era de família abastada e a de Luisa era muito rica, vieram para o Brasil. Com a crise do açúcar, seu marido ficou desempregado e ela viu-se obrigada a trabalhar, aceitando ser preceptora da irmã de Dom Pedro II, a qual, mais tarde, indicou-a ao Imperador para cuidar das suas duas filhas.
Dom Pedro II encantou-se ao conhecê-la: de beleza rara, educada e elegante, magra, sabia vestir-se e seguia a moda francesa. O que era admiração a princípio, virou paixão e passaram a se encontrar às escondidas, em Petrópolis, onde Luisa havia alugado um chalé, e no Rio de Janeiro, certamente no Palácio de São Cristóvão, onde morava o Imperador. Conforme Del Priori, nos diários pesquisados, também foram encontradas passagens que se referiam a uma viagem que fizeram juntos, à Grecia.
A Condessa de Barral mandava e desmandava, mas não influenciava o Imperador nas decisões que tomava como governante - se bem que diziam que influenciou a Princesa Isabel, sua filha, com suas ideias abolicionistas, a extinguir a escravidão no Brasil - porém o ajudou de outro modo, ou seja, por ser homem sem traquejo social, ensinou-o a se portar à mesa, a se vestir bem, a limpar as unhas, a não bater no ombro das pessoas e como tinha um inglês ruim, dizia para só falar em francês, para não cometer gafes. Passava-lhe informações sobre arte, livros, teatro e cultura. Por ter sido criada na Europa, mantinha-se em dia com os acontecimentos do mundo. Luisa só teve um filho, Dominique. O marido da Condessa jamais se posicionou sobre o seu romance com Dom Pedro II. Como era preceptora das filhas do Imperador, recebia convites para ir aos bailes, mas sempre ia sozinha. Quando as princesas se casaram, Luisa voltou para a Europa. Começaram, então, a troca de correspondências. Foi quando o Imperador se sentiu mais apaixonado e saudoso e fez várias viagens para visitar a amada. Com a proclamação da Republica, a família Imperial exilou-se na França. Dom Pedro II reencontrou a Condessa e ficaram mais próximos. Ele lhe escreveu uma poesia dizendo que nada mais iria separa-los. Costumava colher flores para ela todos os dias e deixar na porta de seu quarto. Luisa morreu de pneumonia quase dois anos depois e ele logo em seguida, de complicações com diabetes. Pesquisas: Mary Del Priori Gazeta do Povo |
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Elen de Moraes Kochman - NUVENS NEGRAS
NUVENS NEGRAS
Elen de Moraes O dia amanhece nublado... O céu se atordoa com nuvens negras, Ameaçadoras, Que passeiam de um lado para o outro Atropelando a melancolia Que desce sobre meu olhar. Nuvens apressadas que buscam respostas... Talvez as mesmas que procuro. Bate um vento gelado! Traz consigo uma chuva fina Que arrepia minha alma, Que lava meus pensamentos. Aconchego nos meus braços E aperto contra meu peito As lembranças do meu amor, Tão longe de mim! Tão longe do leito que agasalhou Nossos ardentes serões, Nossas sensuais emoções; Tão longe dos lençóis Que acariciaram A intimidade da nossa paixão. Olho o infinito embaçado Por essa cor cinza, Multifacetada de nuances mórbidas, Só comparada às cores mortas Que tingiram minha vida Depois da despedida. Ó nuvens negras, Levem em suas asas Minha descolorida paixão Tão gasta de desejos; Levem do meu corpo esse frêmito, Essa ânsia de querer; Levem de mim a dor da ausência E tragam - nas suas lágrimas Que encharcam essa terra, Onde deslizam Os pés do meu tormento, Da minha angústia - O silêncio das minhas palavras. Ó nuvens negras, Abafem com o surdo ribombar Dos seus abraços, Nesses encontros de prazer, O grito de amor Que explode da minha alma, Mas que morre Com a felicidade que esmaece No tempo... E na distância... |
Em memória...
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
ENTRE GOLES DE AMOR - Elen de Moraes Kochman
Entre goles de amor
Elen de Moraes Kochman Guardo lembranças - sem nenhum pudor - Da nossa paixão ao sabor do sexo, Do que falávamos... coisas sem nexo, Sussurradas entre goles de amor. Ardiam nossos lábios no calor Dos beijos, em nossos corpos... No amplexo Penetravam-se côncavo e convexo, Num frenesi crescente e abrasador. A paixão nos deliciava e exauria. O prazer emergia-se, esgotado, Do êxtase intenso que nos consumia. Hoje, aquele amor louco e exacerbado, Existe só na minha fantasia... Nos nostálgicos versos do meu fado. |
terça-feira, 20 de agosto de 2013
NOTURNO - Elen de Moraes Kochman
Noturno
Elen de Moraes Kochman
Águas de cruas saudades
por onde sempre navego,
choram comigo as dores
dos amores que partiram...
Noites que - em pesadelos -
adormeceram estrelas,
acalentam minhas mágoas
e dão vazão ao meu pranto.
Sobre o universo dos sonhos
a lua balança tímida,
sem poder me confortar...
A solidão, tão medonha,
minha fiel companheira,
grita por mim o que calo,
quando sufoco os lamentos
que dilaceram minha alma.
As loucuras das paixões,
levaram-me para abismos.
Nas brumas dos meus caminhos,
esfumaram-se ilusões
que alegravam minha vida.
O que antes era meu norte,
hoje... é tão somente um sopro
que me empurra para a morte.
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domingo, 18 de agosto de 2013
ETERNO DESVARIO - Elen de Moraes Kochman
ETERNO DESVARIO.
Elen de Moraes Kochman
Minha boca pede a tua
Num beijo sôfrego e louco!
Minh’alma se queda nua
Em tu’alma... Mas, tão pouco
O nosso instante de amor...
Nem assim me desiludo,
Porque é tão grande o ardor
Do prazer que nos assalta...
Muito maior do que tudo
Que na vida tive falta!
Eu te preciso! Contudo
Vivo aqui neste exílio,
Num desterro alucinante,
Sem ter paz... Anos a fio...
Cismando, em voo rasante,
Acalmar o meu desejo,
Tal qual borboleta errante
Vagando em jardim sombrio,
Pouso em teu corpo, sem pejo,
Meu eterno desvario!
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Morrer para nascer - Elen de Moraaes Kochman
MORRER PARA NASCER...
Elen de Moraes Kochman Creio que após a morte existe vida. Na eternidade da alma... Também creio Que ela será pelo Pai acolhida Para descansar em paz, em seu seio. Eu só não sei se morri ao nascer Para viver esta vida, afinal... Ou, se ao contrario, será ao morrer, Que nascerei para a vida real. Não vivo a pensar que o vindouro passo Do meu dia seguinte seja a morte, Pois ela, de qualquer modo, ao compasso Do tempo que esvai, será minha sorte. Mesmo que eu ande nesse vale escuro, Não o temo! Pois bem sei que ele é a causa, Sucessão e fim deste “lar” seguro Que EU sou... antes que se execute a pausa. E quando este meu corpo delicado, Inseguro... - frágil como o cristal - Quebrar-se... seu vinho for derramado, Será da minha matéria, o final! Então, estará desencarcerado Meu Espírito... Meu Eu celestial. |
domingo, 11 de agosto de 2013
Dia dos pais - Elen de Moraes Kochman
Versos do meu poema
"Além da eternidade",
para meu querido pai, em memória.
...
Foste perdão, sem dramas e sem mais enredos.
Um poço de amor! Grande lago de pureza,
Onde guardávamos todos nossos segredos,
Onde escondíamos nossa velha incerteza...
O teu coração espantava nossos medos
Ao pulsar a tua força - nossa fortaleza -
sábado, 10 de agosto de 2013
ÍNTIMOS SEGREDOS - Elen de Moraes Kochman
Íntimos segredos
(Eu e o sol)
Elen de Moraes Kochman
De sono intenso e repousante acordo,
Com o sol brilhante, seus raios em mim.
Alegremente, toda me transbordo,
Nos meus macios lençóis de cetim.
Carinhoso, em seu colo ele me aninha,
Faz dos meus seios lúdicos brinquedos,
Lambe meu corpo sedoso... e adivinha
Caminhos dos meus íntimos segredos.
Aquece-me - em seu excitante abraço -
Com carícias sôfregas... sensuais,
Deixando em minha pele seus sinais.
No seu fogo, em êxtase, me desfaço
Dos tabus... e no turbilhão do espasmo,
Perdida em seus labirintos, me plasmo.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
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VOZ: Elen de Moraes Kochman - Elegia do adeus
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Eu me perco em teu olhar...
