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domingo, 10 de agosto de 2014

Além da eternidade - Elen de Moraes Kochman (homenagem aos pais que estão e aos que já partiram)


E. Roberto de Moraes

Além da Eternidade

Elen de Moraes Kochman

                     Para meu pai, em memória



Contemplo teu rosto na foto desbotada
Pelo tempo distante... Tempo que bendigo!
À mente, me volta imagem desordenada
Dos momentos felizes, do teu ombro amigo.
Meu coração dói... se contorce em disparada,
Ao lembrar, meu pai, a vida em comum contigo!


Sinto, na saudade, teu carinhoso abraço,
Tua voz, em silêncio, a me aconselhar...
Meus deslizes, quando ao pisar errado passo,
Com afeto corrigias, sem castigar.
Teus filhos, quando vencidos pelo cansaço,
Voltavam pros teus braços - porto de ancorar!-


Nos teus olhos havia olhar sempre bondoso!
Deles fluíam paz, total tranquilidade...
Acautelados em teu amor tão zeloso,
Transcorria-nos a vida em serenidade.
Ensinava-nos acerca do insidioso,
Mas mostrava tua justeza na igualdade.


Manso sorriso que em teus lábios flutuasse
Era estímulo a procurarmos, no mundo,
Um canto nosso que do sol nos resguardasse.
Sob a luz do teu incentivo íamos fundo!
Entre nós, distância não se fazia impasse,
Pois não te ausentavas sequer por um segundo.


Foste perdão sem dramas e sem mais enredos.
Um poço de amor! Grande lago de pureza,
Onde guardávamos todos nossos segredos,
Onde escondíamos nossa velha incerteza...
O teu coração espantava nossos medos
Ao pulsar a tua força, nossa fortaleza.


Hoje, pra aliviar a dor da tua ausência,
Imortalizo, nos meus versos, a tua vida!
Por sermos teus filhos, frutos da tua essência,
Conosco permaneces, embora a partida...
E um dia nos reveremos, noutra existência,
Quando tivermos cumprido, aqui, nossa lida...




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